<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313</id><updated>2012-01-21T21:36:51.059-02:00</updated><title type='text'>A Casa da Atriz</title><subtitle type='html'>Olha, será que é uma estrela, será que é mentira, será que é comédia, será que é divina a vida da atriz. Se ela um dia despencar do céu, e se os pagantes exigirem bis, e se um arcanjo passar o chapéu, e se eu pudesse entrar na sua vida...
(Chico Buarque/Edu Lobo)
Palavaras de uma aspirante a atriz, que na verdade é jornalista.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>36</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-4460560109350742214</id><published>2008-11-07T14:57:00.002-03:00</published><updated>2008-11-07T16:32:02.208-03:00</updated><title type='text'>Comentário sobre Hysteria, da Cia XIX</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Certamente o casarão que abrigou o Instituto Feminino da Bahia, escola das moças de fino trato da burguesia soteropolitana do século XIX, é o lugar mais apropriado da cidade para abrigar o espetáculo Hysteria, do Grupo XIX, companhia paulista de teatro especializada em montagens de olhar histórico sobre a vida privada brasileira. A peça, que já tem sete anos de estrada e é a primeira do repertógio da trupe, faz um resgate da vida de cinco mulheres acometidas de histeria e internadas no Hospício Carioca, também chamado de Praia Vermelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima de repressão sexual, tônica da doença esmiuçada e estudada pela nascente Psicanálise, é a tônica de toda a peça, com respiração bastante própria no prédio escolhido, que restringia seu trânsito às mulheres. Assim, respeitando o espírito da época, o público masculino sobe na frente das mulheres, ficando em sala de espera distinta. Mais tarde, as mulheres sobem e ficam numa sala a parte, no caso das apresentações em Salvador, na capela do colégio. Ao chegarem no salão onde se dá o espaço cênico, os homens já estão posicionados, numa platéia bem montada e afastada das mulheres. Eles estão numa pequena arquibancada e de lá, assistirão distanciados às cenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça é encenada apenas durante o dia, por volta do fim da tarde, perto do cair do sol - exatamente quando a peça finda. Sem nenhum recurso de iluminação elétrica ou artificial, peça se vale da luz do sol, assim como se valiam as mulheres daquele tempo. As vestes em tons bege e salmon se mostram envelhecidas, também antigas. As atrizes parecem fantasmas de outro tempo, tamanho a realidade que se tornam seja pelo tom da voz e ritmo da fala próprio de uma outra época, seja pelo ritmo que a peça imprime, seja pelo figurino, sem nenhuma pompa, quase desbotado, seja pelo próprio lugar, que foge de qualquer artificialismo próprio ao teatro. Os artifícios e escolhas do espetáculo, de criação coletiva, presentificam aquelas histórias junto com as novas que ali serão contadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ao redor do espaço cênico, em cadeiras ou sentadas ao chão, sentaram as mulheres do público, que a partir desse momento, deixam de ser público e passam a ser tratadas como internas e acometidas do mal da histeria. A interação com as mulheres permeia a todo espetáculo. A história contada em cena deixa de ser a das cinco personagens apenas, mas também daquelas com quem as atrizes contracenam. Essa aproximação entre atores e público não só irrompe numa interatividade, mas especialmente, na estruturação de uma dramaturgia que completa seu sentido a cada apresentação. As experiências das mulheres do público contribuem como fio condutor da narrativa das mulheres.&lt;br /&gt;Extremamente brancas e pálidas, as personagens denotam seu tom embalsamado, empoeirado, mas também porcelana. As bonecas de uma época que talvez hoje, objetificadas teriam cor tostada de carne, exposta para ser degustada. Se no passado, as mulheres eram louça fina, hoje somos comida quanto mais farta melhor: filé, bunda, morango, melancia.&lt;br /&gt;Nos sonhos esfacelados, gritos suprimidos, julgamentos, opressões, vozes embargadas, as histórias delas atualizam as nossas. Para quem acredita que a emancipação plena da mulher já se deu e que o feminismo é arqueologia, Hysteria mostra no contato com o público atual, nas emoções que sucita que nossas vozes ainda se fazem roucas e poucos dos nossos gemidos são de gozo.&lt;br /&gt;Entre as histórias, o caso de uma menina orfã, deixada na antiga roda, que guardava a vergonha das brancas que "perderam a sua honra" e que adulta ainda se comportava como menina: que destino ela podia ter, se era só e com ninguém seria digna de casar? Melhor então o refúgio da infância e a espera do noivo Jesus, que certamente, nunca viria. A mulher que sempre fora calada e cuja voz sua família nunca aguardara ouvir, passivamente, como era de sua natureza, contava sua história na medida em que ia dialogando com uma espectadora mais velha, estrategicamente sentada ao seu lado. Talvez, momento dos mais difíceis, a escolha da mulher mais velha sentada ao seu lado, revela que os sonhos, embora séculos diferentes ainda são os mesmos e as repressões e opressões não se dão de tão longe. De voz altiva e grave, havia entre elas uma mulher de consciência política, que aguardava após a libertação (virá que eu vi...) do povo negro, a libertação das mulheres. Seu dom da poesia, alma questionadora e volúpia no corpo foram a justificativa da sua internação.  Talvez a loucura seja o destino daqueles que têm dúvidas e questionam...por fim, a história da mais sexual de todas, que permitiu viver uma liberdade sexual, ainda pouco bem vista em nosso tempo. Ainda nas rodas modernas, mulher que se deita com quem quer, quando quer, ainda é chamada de puta. Quem dirá em 1800 e fumacinha...&lt;br /&gt;Todas elas, assim como o próprio público eram vigiadas atentamente pela enfermeira, altiva, repressora, cuja voz causa calafrios. Contudo, aquela própria mulher, a serviço do poder dos homens, também tem seu útero, também tem seus calores, também tem seus desejos e este é o grande peso da peça. Mesmo as que servem a um outro poder, são vítimas dele - algozes talvez de sua própria dor.&lt;br /&gt;Hysteria dosa o dolorido com o riso. Coloca os homens como espectadores sérios, distanciados, de um mundo que eles conhecem pouco, mas interferem muito. Como o próprio programa da peça afirma a história das mulheres não é a história somente delas: suas vozes roucas contam a história de seus homens, seus filhos, uma cultura, uma repressão. Hysteria é sem dúvidas um espetáculo necessário para homens e mulheres. Para pensar no nosso tempo, a partir da história das que foram. Qual é a doença de nossa geração, meninas? Somos mesmo donas do nossos corpos? Somos tão livres? Tão libertas? Ou nossa liberdade também não faz parte da liberdade do mercado...de tudo aquilo que está a venda a qualquer preço...&lt;br /&gt;Perguntas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-4460560109350742214?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/4460560109350742214/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=4460560109350742214&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/4460560109350742214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/4460560109350742214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/11/comentrio-sobre-hysteria-da-cia-xix.html' title='Comentário sobre Hysteria, da Cia XIX'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-5609092315212537192</id><published>2008-11-04T16:23:00.005-03:00</published><updated>2008-11-07T14:56:09.321-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>2008 pode ser considerado como um ano dos mais interessantes para o fomento das Artes Cênicas no estado. Apesar da produção ter sido um pouco mais fria, com um menor número de estréias, este vem se configurando como um ano ímpar na circulação de espetáculos e realização de festivais. Ao todo, no estado até o fim do ano somam-se 21 festivais, no quais artistas baianos trocam experiências e acessam a montagens de outros cantos do país, quanto do mundo. Salvador sediou três festivais que movimentaram a cena local: Festival Latino-Americano de Teatro, Festival Lusófano de Teatro e o Festival Internacional de Artes Cênicas, que oportunizaram momentos significativos de troca e acesso a outras dramaturgias. Também foi possível proporcionar que os artistas baianos pudessem mostrar seus trabalhos a públicos diferenciados.&lt;br /&gt;Nesse contexto, é que surge o Festival Internacional de Artes Cênicas, que durante os dias 24 a 31 de outubro  reuniu um interessante grupo de espetáculos baianos, nacionais e internacionais, misturando um tanto das principais tendências das artes cênicas na contemporaneidade. Além disso, o evento proporcionou atualização da classe artística ao trazer oficinas com profissionais experientes e grupos envolvidos nos espetáculos em cartaz. Esse caráter de reciclagem pode provocar uma nova respiração na cena teatral na cidade, mas também do estado, que recebe estímulos para criação, encontra pares, se reflete.&lt;br /&gt;Assim, estiveram reunidos em uma semana, espetáculos baianos, brasileiros e de países como França, Portugal, Noruega. Também foi possível, ver aplicada em cena as teorias teatrais de Peter Brook, encenador referência nas artes cênicas do século XX. No palco, foi possível verificar os rumos atuais de um teatro cada vez mais da palavra fragmentada, que cede lugar a outros elementos, especialmente a fisicalização. A contradição, a ironia e o pastiche também dão o tom da cena em trabalhos como O Grande Criador, da Companhia do Chapitô, de Portugal. O que também ocorre em Melodrama, uma das montagens da Cia dos Atores, do Rio de Janeiro, que envereda por reconstruir a atmosfera kistch das novelas e programas de rádio.&lt;br /&gt;Outro dado foi a forma delicada ou bem humorada que os trabalhos participantes tiveram para se afirmar politicamente. O trabalho dos portugueses, além de satirizar passagens bíblicas, faz boas referências aos momento atual, relação com países como EUA e as crises econômicas, de valores e culturas. A temática da homofobia foi tratada de forma sensível em Aqueles Dois, enquanto que a repressão sexual e as questões que afetam o feminino são matéria de Hysteria, um dos grandes destaques do Festival.&lt;br /&gt;Da cena baiana, bons trabalhos deram conta de mostrar o que vem sendo produzido na Soterópolis. A montagem Triste fim de Policarpo Quaresma levou à frente a discussão em torno da brasilidade. Já Deus Danado, um dos trabalhos mais interessantes dos últimos anos, deu conta de discutir a humanidade e suas relações, a partir de um olhar nordestino e precário. O sotaque baiano em Shakespeare é a marca da montagem Sonho de uma noite de verão, do Bando de Teatro Olodum, em momento de franca projeção nacional. Já o grupo Dimenti, um dos mais ativos da cidade, levou à cena sua última obra Batata!, sobre o universo nelsonrodrigueano.&lt;br /&gt;O FIAC também foi ponto de encontros e festas, reunindo a classe artística e o público, em shows que vararam a madrugada, na praça Tereza Batista. No palco, os grupos mais pulsantes da cidade como Lampirônicos, Retrofoguetes, Afro Batá, Juliana Ribeiro e a Quadra de Samba, A Volante do Sargente Bezerra entre outros.&lt;br /&gt;No mais, saldo positivo ao festival, realizado com profissionalismo e oportunizando acesso a cultura, com qualidade e preços populares. Vida longa ao Festival. Boas inspirações para as artes cênicas na Bahia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-5609092315212537192?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/5609092315212537192/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=5609092315212537192&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5609092315212537192'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5609092315212537192'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/11/2008-pode-ser-considerado-como-um-ano.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-5586144563098753565</id><published>2008-11-03T17:43:00.000-03:00</published><updated>2008-11-03T17:45:14.658-03:00</updated><title type='text'>Comentário sobre AQUELES DOIS</title><content type='html'>A Cia. Luna Lunera decidiu transpor para a linguagem do teatro o conto Aqueles Dois, do gaucho Caio Fernando Abreu, integrante do livro Morangos Mofados, um dos mais importantes da década de oitenta. Para o palco, os atores recriaram a atmosfera do autor, a tessitura de sua escrita encarnada nos corpos, nas disposições, na palavra revivida, mas também em referências de uma época, seja musicalmente falando com citações de Ângela Ro-ro-ro, Cazuza, Gal Costa, seja resgatando as velhas máquinas de escrever, as formas das luminárias, a memória de filmes antigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A montagem de Aqueles Dois transpõe para a cena a dúbia atmosfera de amizade e amor dos personagens Saul e Raul, jovens promissores, admitidos numa repartição. Naquele que era um deserto de almas, como bem define Abreu, aquelas duas almas igualmente especiais se encontraram, se conheceram e ganharam intimidade. Um do Norte, outro do Sul, ambos eram pessoas sós e estrangeiras na grande São Paulo, onde encobertos pelo cinza, nunca se sentiram em casa – exceto até o encontro de um com o outro. Caio convoca então a uma amizade cheia de descobertas, de encontros e Saul e Raul, cujo nome se confunde, facilmente poderiam reconhecer um como se fosse o outro, quase como um espelho. As semelhanças constituíram a liga daquela amizade, que logo causaria estranhamento e desconfiança nos colegas, tipicamente conservadores e como tal, homófobos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao entrar na sala de espetáculos, o público se depara com um tatame como palco. Em volta dele, a delimitação do espaço cênico, com máquinas de datilografar, luminárias de mesa, livros, gavetas, discos, aparelhos de som. Os  atores já estão em cena, movimentando-se e fazendo exercícios de contato-improvisação (técnica de dança na qual os corpos se tocam num ponto, desencadeando movimentos a partir daquele encontro). As partituras físicas demonstravam encontros e contrapesos. Encontros, abraços e tensões. Encontro físico, vontades de ir para outras direções. Um dos atores, controlava a entrada do público, bem como lia trechos de cartas de Caio Fernando Abreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os discos, as músicas serviam não só para relembrar uma época, mas respirar o espírito de Caio, mas também montar as identidades dos dois personagens. Por outro lado, toda aquela identidade evoca ícones brasileiros fundamentais para cena gay, que tem como inspirações artistas como Maria Betânia, Cazuza, entre outros dos muitos citados. Essa identificação tanto aproxima de uma atmosfera, quando inicia uma pergunta dúbia sobre o que seriam aqueles dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os quatro atores em cena dividem-se e multiplicam-se na tarefa de viver Raul e Saul, mas também outros trabalhadores da repartição. Conseguem entre si criar um nivelamento na interpretação, onde todos tornam-se parecidos, todos mantém uma unidade e alinhamento na representação daqueles dois personagens. Ao mesmo tempo em que os quatro são dois, a integração dos atores promove que os quatro, sejam dois e sejam um – como assim é o encontro maravilhado de duas pessoas igualmente especiais, igualmente semelhantes, seja em gostos, sejam em gênero. Raul e Saul, como a escolha de seus nomes já indicam, são um Narciso ensimesmado diante do espelho, apaixonado por si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A passagem de tempo na peça é trabalhada de forma criativa: o número de vezes, que os personagens vão tomando café, revelam a maior intimidade que vão ganhando, enquanto que as sucessões de bom final de semana, demonstravam a falta de novidade e tédio daquele ambiente de trabalho: um ambiente onde as quermesses, falatórios, olhares, festinhas e rifas serviam como quebra da mediocridade reinante. Eles mostravam-se então diferentes, mais bonitos e interessados em suas solidões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A peça acerta na adaptação, misturando momentos de ação propriamente dita, com a narração e o apoio na palavra do conto de Caio Fernando Abreu – esse trânsito entre a ação dos atores e a narração do conto se mostram como um deleite, repensando algumas cenas já vividas na própria encenação, lançando mais luz sobre a amizade daqueles dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A imagem e a palavra casam com felicidade em alguns momentos. O abraço de reencontro dos amigos, após a perda da mãe de um deles. Os corpos nus em meia luz – luz essa que reflete a tensão  do desejo e vergonha de ambos, por estarem desnudos um diante do outro – com  a escuridão cortada pela brasa dos cigarros acesos. Por fim, os muitos desenhos feitos por Saul, os grandes olhos sem iris, citados no conto, que aqui ressignificados se mostram como os colegas homófobos atrasados e eternamente presos às suas mentalidades e preconceitos. O tom expressionista dos desenhos reforçaram a palavra de Caio, de que aqueles, ao verem Saul e Raul saindo de cabeça erguida da empresa, rumando num carro juntos, sabe-se lá para que provável ou improvável destino, para sempre seriam infelizes na sua mesquinhez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqueles Dois é um sensível espetáculo político, que de forma delicada e doce faz pensar sobre a homofobia, sobre os valores e preconceitos. Mas também, é um doce retrato da obra de um autor marcado por uma década, por um tempo, querido e maldito para alguns. Uma fábula cotidiana da amizade dos personagens, mas também do grupo, que dedica o espetáculo aos amigos, a alguém querido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-5586144563098753565?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/5586144563098753565/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=5586144563098753565&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5586144563098753565'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5586144563098753565'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/11/comentrio-sobre-aqueles-dois.html' title='Comentário sobre AQUELES DOIS'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-8162989333804358736</id><published>2008-10-29T00:19:00.004-03:00</published><updated>2008-10-29T00:52:51.282-03:00</updated><title type='text'>Por Elise: se envolver ou não, eis a questão</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/SQfeAkqsjrI/AAAAAAAAAYQ/RElWpwqIbtY/s1600-h/photo04-712062.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer; width: 320px; height: 190px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/SQfeAkqsjrI/AAAAAAAAAYQ/RElWpwqIbtY/s320/photo04-712062.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5262418791029837490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Um dos espetáculos mais aguardados no Festival Internacional de Artes Cênicas da Bahia foi Por Elise, do Grupo Espanca!, de Belo Horizonte (MG). A primeira montagem da trupe vem caindo nas graças do público e crítica desde 2005, quando de sua estréia. De lá para cá, acumulou os prêmios da APCA, na categoria Dramaturgia e Shell de Teatro de São Paulo, em 2006. No palco, cinco atores: Grace Passô, Gustavo Bones, Marcelo Azevedo, Paulo Castro e Samira Ávila.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma completa escuridão surge o tronco de um homem, que desenha movimentos no ar. Ao fundo, palavras se inscrevem no fundo do palco, como projeções de um vídeo. "Eu vou cuidar do seu jardim". O palco nu muito escuro propiciava que aquele homem dançasse numa profunda solidão e com os olhos no horizonte. Outros atores entram em cena, olhos também no horizonte. Uma mulher de vermelho. Um homem vestido de espuma. Um jovem vestido de moletom. Um lixeiro. A luz muito escura, os reveste na escuridão solitária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando, então, surge no canto esquerdo uma mulher, de vestes de dona de casa e fala segura. Ela diz contar histórias. Vir ali para contar histórias, para falar de muitos, das esquisitices e incongruências do mundo. Como a dela, de um dia ter plantado um abacateiro cujo crescimento fugiu ao seu controle: ele alça as alturas e atemoriza por derrubar grandes abacates a todo momento. Por conta disso, a mulher vive sobressaltada olhando para o alto. Eis então que surge uma das frases núcleo do espetáculo: cuidado com o que você planta, porque pode fugir ao seu controle. Mais uma recomendação ao espectador, aos atores ao lado: não precisa se envolver com tudo. No palco, não é preciso se envolver, existem técnicas, recursos, treinamento. Não precisa se envolver - o não envolvimento impede sofrimento. Cuidado. Mas ela mesma lança um paradoxo: mas não tem jeito, gente se envolve com tudo, gente sente, gente viva sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As frases ditas pela personagem são fortes firmes. Quase que como conceitos ditos sob olhos faiscantes e firmes da atriz, que também dirige e assina a dramaturgia do espetáculo, Grace Passô. Com poucos movimentos, mas inteireza na palavra, a atriz ganha o espectador com a clareza com a que afirma suas idéias, suas metáforas. Metáforas transformadas em abacates e jardins. Sem dúvidas, a propriedade da autora/atriz retira da poesia a pompa que lhe parece ser própria na boca dos atores. A palavra-poética-dramatúrgica se faz palavra-orientação, palavra dita. Objetivamente poética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça de vermelho se encontra com o lixeiro e lança-se na aventura de correr. Correr para conhecê-lo, correr para encontrá-lo, correr para fugir de si, da sua solidão do sacrifício do seu cachorro. Nas corridas, o encontro e o encanto - ele tinha alguma espécie de alegria, que por hora ela não detinha. E ele corria, corria, corria pelo ofício, corria pelo sonho de ver o mar. Era então, a metáfora do forte cavalo alado a caminho do mar. Força que ela clama e se identifica no fim do espetáculo, sozinha no palco negro vestida em vermelho: eu sou um cavalo vermelho correndo a caminho do mar. Embora o encontro, o encanto, a identificação, o beijo não se fez concreto ou possível - ele estava sujo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há ainda o homem vestido em espuma, cuja função é sacrificar animais. Vestido de espuma ele não sente. Para o bem, para o mal. Vestido de espuma ele não corre riscos, ele não se envolve, por isso, sem pena, sacrifica. Sacrifica em nome do seu sonho: ir para o Japão. Ele também se encontra com o lixeiro, que o toca sem tocar, apenas com as perguntas: você tem religião? você não sente? Então, com palmas, ele meio que desabroxa o gelo que há em si e canta pelo cuidado do seu jardim. Onde está Deus?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz que corre, corre para o encontro de sua história, para descobrir os rumos do seu pai, que saira para comprar cigarros e nunca mais voltara. Encontro que não fora possível. A dona de casa conhecera o pai do rapaz, remete a sua despedida e a um possível amor do pai pelo filho. Para não destroçar a esperança e sentido de vida do rapaz, ela fala então de carinhos e pensamentos do falecido para seu filho. Embora decepcionado com o desencontro, com a espera, com a solidão, com a frustração, ele chora, mas volta a correr.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então o homem de espuma encontra a dona do cachorro, que fugia intensamente desse encontro. Ao encontrar a dor daquela mulher em perder seu companheiro, único companheiro, ele inevitavelmente se envolve. Eis o paradoxo. O cão é humanizado num dos atores, que desempenha com muito valor, aproximando-se da fisicalidade do cão, do seu temperamento, das reações e olhares. Sem dúvidas, uma das interpretações que mais chamam a atenção no espetáculo, bem como emocionam. Como tirar a vida de um animal que garantia a vida de outra pessoa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por Elise, então, desenha o seu paradoxo, a contradição do nosso tempo: envolver-se ou não. Será preciso envolver-se? Para que? Temos as técnicas, as tecnologias, os saberes, os conhecimentos, conhecendo mais sofre-se menos. Mas gente sente. Mesmo que não queira, mesmo que não saiba, que não tenha consciência. Optando por um palco nu, vazio, preciso, desprovido de elementos de cena (além dos abacates), a encenação preenche o vazio com o movimento, com a palavra. Com a repetição agregadora, com a volta do texto ressignificado, questionado, revisto quase que dialeticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A espuma que reveste o homem impede de acordá-lo. Por Elise se faz então como busca de penetrar nos corpos vestidos de espuma. E o faz. Ainda que se saiba estar diante de uma fábula, mas uma fábula que diz de um cotidiano, de solidões, de incertezas, de contradições. Cuidado com o que planta: que o envolvimento não paralise, que a fuga do envolvimento não engane.&lt;br /&gt;Por Elise se lança como um espetáculo de silêncios e sons, de escuros e vermelhos. De uma solidão preenchida por personagens que existem por si só, às vezes sem um passado, às vezes com um presente suspenso. Personagens metáforas que transitam entre os abacates. Abacateiros de metáfora e de envolvimentos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-8162989333804358736?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/8162989333804358736/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=8162989333804358736&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8162989333804358736'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8162989333804358736'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/10/por-elise-se-envolver-ou-no-eis-questo.html' title='Por Elise: se envolver ou não, eis a questão'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/SQfeAkqsjrI/AAAAAAAAAYQ/RElWpwqIbtY/s72-c/photo04-712062.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-8566190574685040446</id><published>2008-06-06T19:07:00.002-03:00</published><updated>2008-06-06T19:13:54.281-03:00</updated><title type='text'>Exercício de Olhar para O Olhar Inventa o Mundo</title><content type='html'>Leitores do blog que vos fala. Compartilho um texto produzido para a Disciplina "Teorias do Espetáculo", do Mestrado em Artes Cênicas da Escola de Teatro da UFBA, ministrada pelo Prof. Cláudio Cajaíba. Bem, explico porque esse texto vai numa linha de referências acadêmicas e consiste num exercício para o curso. Assim, caso haja qualquer estranhamento, já está sendo feita a delimitação.&lt;br /&gt;Fruam e comentem.&lt;br /&gt;Mônica&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p class="western" style="margin-bottom: 0cm;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Sentei-me na primeira fileira do canto direito do palco principal do Teatro Vila Velha e esperei o tempo da campainha marcar o início do espetáculo, O Olhar Inventa o Mundo, com direção de Felipe Assis. A montagem nasceu das poesias em prosa de Cacilda Povoas, que também assina o roteiro cênico ao lado do diretor. Já munida dessas informações, minha expectativa era então estar diante de uma obra sensível e com o compromisso com a palavra.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Um tecido branco vinha do urdimento do teatro até o tablado. Uma risca de giz cruzava o palco. O público dividia-se em dois paredões paralelos, separados pela cena. Dado o sinal, vem o primeiro ator, que como os demais, vestia-se de tons cinzas. O texto, como esperado, já demonstrava a sua indissociável relação com a poesia. Na seqüência,  outros atores desempenhando movimentos e partituras físicas. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;A maquiagem, assinada por Luiz Santana, transitava entre a neutralidade nos homens e traços mais exagerados entre as mulheres. Criado por Rino Carvalho, o figurino base cinza trazia formas variadas para as mulheres, trazendo movimento para algumas, simplicidade para outras, mas também sensualidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;As cenas foram assim se dividindo em blocos, demarcados por ambientações diferentes, não propriamente em atos, mas talvez mais propriamente por capítulos. Elementos de cena faziam rápidas evoluções e partiam, não havendo uma cenografia permanente. Os objetos se mostravam assim voláteis, como a bicicleta rosa que cruza a cena, como as bacias onde os atores se posicionam e movimentam, como o muro sobre rodas, no qual são projetados textos e imagens. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Os atores desencadeiam diversas ações físicas, que transitam entre gestos naturalistas e a poesia que se desenha no corpo, incorrendo o risco dessa ser chamada de dança (sem nenhum demérito, mas evitando qualquer confusão conceitual). &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Um novo figurino surge: as palavras estão escritas nos corpos, em tecidos leves. Nos dedos anéis, unhas vermelhas: signos de feminilidade. O vídeo, como o giz, inscreve palavras, imagens meio soltas, cujo significado poderiam ser completados com os entendimentos. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Embora houvessem elementos comuns: o feminino, o movimento, a leveza, os encontros, o bordado, a cidade, o domingo, a cidade, o fragmento é a maior tônica. As imagens se constroem e desconstroem em velocidade rápidas, muitas vezes tornando-se impalpáveis. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Do urdimento, folhas de papel caem. Palavras chovem, demarcam todo o palco. Um novo capítulo para a palavra concretizada. Um guarda-chuva sem forro: como não se houvesse como fugir da linguagem – ela está por todos os lados. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Como o nome da peça já delimita: o olhar, o sentido e a compreensão são invenções e naquele espaço, cabe a subjetividade do espectador inventa-la.  Tarefa nem sempre fácil, nem sempre obvia. Ainda mais na arte do teatro, cuja imagem é discurso, nem sempre a amplitude da poesia.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Na saída do espetáculo, fui a um café, com amigas atrizes. Em todas, um incômodo: “imagens muito bonitas, mas faltou me dizer algo” ou “era fragmentado demais”. Bem, para discorrer sobre esses comentários-provocações, vou recorrer a alguns autores.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;&lt;b&gt;As teorias&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt; – Na origem grega do termo Teatro, encontramos uma espécie de diálogo com o nome da peça: lugar onde se vê. Também entre os gregos, está a delimitação da tônica do teatro: a ação, a presentificação dos acontecimentos. O diálogo ou a dialogicidade são também tônicas da linguagem teatral, que embora tenha no monólogo um recurso bastante utilizado, o conflito é um cerne quase que irrefutável.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Ainda que no século passado, muitos dos postulados foram implodidos com a modernidade, a expectativa de qualquer público, mesmo sendo ele de fazedores de teatro, é deparar-se com a ação, o conflito, o diálogo, situações problema. A ausência da ação causa sempre uma sensação de se estar diante de uma outra arte: artes plásticas, a performance (em seu sentido mais ligado à instalação), a dança. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;&lt;i&gt;O Olhar Inventa o Mundo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt; faz seu pacto com a poesia, que naturalmente está mais próxima música, da pintura, por não necessariamente ser da esfera do discurso, embora seja a palavra a sua matéria prima.  Em seu ensaio, A Escultura do Sentido, Monclar Valverde bem define o papel da poesia: “Ela é, antes, o conjunto possível dos exercícios poéticos perpetrados, ao longo do tempo, por esses seres de carbono dotados de angústia: e seu corpo palpável e visível a olho nu não é senão esse tecido material-i-material de palavras lavradas no silêncio. Mas isto a que chamamos 'palavras' é apenas o suporte físico de seu "corpo"; do mesmo modo que isto a que chamamos "silêncios" - pontuações da estratégia discursiva ou do léxico - não chega ainda a ser o próprio silêncio. O &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;&lt;i&gt;Corpo&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt; da palavra, seu in-vestimento, é a interminável escultura do sentido, a re-presença do 'real' na cena da linguagem, a encenação contínua deste processo de presentificação que dá vida a tudo o que existe no âmbito da cultura”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;E a realidade própria dessa obra de arte é travar essa aliança com a poesia.  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;&lt;span style=""&gt;E como tão bem define Valverde, “a&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;s palavras não têm a natureza das 'coisas', do 'espaço' ou do 'tempo'. Elas têm a dimensão simbólica das condições de possibilidade das 'coisas', do 'espaço' e do 'tempo'; estruturas que fazem, das relações e perspectivas que constituem o mundo, um 'objeto' em movimento”. Está posto então o desafio para o espetáculo, que se lança numa seara sempre difícil para o teatro, ou seja, incorporar elementos que muitas vezes contrariam pressupostos de sua linguagem. Ou seja, a ação, o conflito, as relações de tempo, espaço. Aqui não há relações aprofundadas, mas sim esboços, aromas. Imagens que entram e saem sem nenhuma obrigação de contar uma história, de desenvolver um pensamento dialógico. O que o espetáculo se inscreve como sendo é de uma espécie de acontecimento expressivo, um exercício de performatividade poética – a linguagem lírica, por si mesma já subverte os referenciais, porém aqui toma a forma de performance. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Como observa, Erika Fischer-Lichte, no texto Performance e Cultura Performativa, “o teatro dramático ocidental enfatizava o tema da motivação psicológica para as ações das personagens, a construção do enredo, os meios das distribuições, constelações e procedimentos cênicos e, desta forma, era induzido a ignorar a função performativa do teatro, o 'acontecimento sem título' trouxe para primeiro plano a função performativa, relembrando sua permanente existência e colocando-a novamente à vista”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p class="western" style="text-indent: 0.58cm; margin-top: 0.1cm; margin-bottom: 0.1cm;" align="justify"&gt; &lt;span style="font-family:Garamond, serif;"&gt;Ainda hoje então, é aguardado pelo público o encontro no teatro com aqueles elementos já citados.  A falta deles ainda gera estranhamento. Em verdade, a plasticidade e a valorização das imagens do espetáculo, o aproximam de outras linguagens. A fragmentação impede a estruturação de um desenho de enredo. Mas será a opção de aliar-se a outras linguagens algo problemático ainda hoje? Menos palatável para as platéias? Fazer essas opções, ainda hoje é experimentar um terreno pouco aprofundado, pelo menos no que tange ao Teatro Baiano. É um exercício de engendrar novos caminhos, fazer novos contatos. E para o público, fica um agradável desconforto de ver artes plásticas em movimento, video-poesia, dança-teatro e cumprir a tarefa de completar um sentido que não veio pronto. &lt;/span&gt; &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-8566190574685040446?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/8566190574685040446/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=8566190574685040446&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8566190574685040446'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8566190574685040446'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/06/exerccio-de-olhar-para-o-olhar-inventa.html' title='Exercício de Olhar para O Olhar Inventa o Mundo'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-1752213848554345546</id><published>2008-05-17T14:13:00.000-03:00</published><updated>2008-05-17T14:16:05.086-03:00</updated><title type='text'>UM REDEMOINHO EM PLENO MOVIMENTO</title><content type='html'>Criado em dezembro de 2004 na sede do Grupo Galpão, em Belo Horizonte, o &lt;a href="http://www.redemoinho.org/" target="_blank"&gt;Movimento Teatral Redemoinho&lt;/a&gt; ganha corpo e se mostra como importante interlocutor na discussão das políticas públicas para o teatro, com seus mais de 60 grupos espalhados por 11 estados do país.    &lt;p&gt;Num momento em que todos os grandes jornais do país abrem espaço para discussões antes muito pouco aprofundadas acerca dos mecanismos de fomento ao teatro, o Redemoinho coloca-se como um interlocutor capaz de dialogar com firmeza na defesa de uma política pública abrangente e mais democrática para a área.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Depois de apresentar a proposta de &lt;a href="http://www.redemoinho.org/lei.zip" target="_blank"&gt;Lei Federal Programa de Fomento ao Teatro Brasileiro&lt;/a&gt; ao Senado Federal e de participar de reuniões com o Ministro Interino da Cultura  Juca Ferreira e com diversos senadores e deputados, com o intuito de fazer tramitar esta lei dentro da Comissão de educação, cultura, ciência e tecnologia, comunicação e esporte, a mesma que há pouco tempo recebeu dos artistas globais a tão questionada Lei Geral do Teatro, o Movimento foi convocado para uma reunião com a  FUNARTE, no Rio de Janeiro. No Rio, na próxima segunda feira, dia 10/05.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Viajam ao Rio os Conselheiros Tânia Farias (Porto Alegre, RS), Fernando Yamamoto (Natal, RN), Zé Fernando (São Paulo , SP) e Marcelo Bones, (Belo Horizonte, MG); e&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;o secretário Gordo Neto (Salvador, BA). &lt;/p&gt;    &lt;p&gt;As reverberações do Redemoinho em Salvador já podem ser sentidas e são palpáveis: incentivada pelo Movimento, uma proposta de &lt;a href="http://redemoinhobahia.blogspot.com/2008/03/verso-5-lei-de-fomento-s-artes-cnicas.html" target="_blank"&gt;Lei de Fomento às Artes Cênicas do Estado da Bahia&lt;/a&gt; foi formatada por grupos, artistas e entidades representativas e entregue ao deputado Zé Neto (PT-BA), no dia 26 de março. O gabinete do deputado promoverá, no início de junho, um painel que discutirá a Proposta de Lei, com a participação de políticos e artistas.&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;Já nos dias 08, 09 e 10 de dezembro de 2008, o Teatro vila Velha receberá o 5º Encontro Nacional Redemoinho, com a participação de mais de 60 representantes dos maiores grupos de teatro do Brasil.&lt;/p&gt;  &lt;p&gt; &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Contatos: &lt;/p&gt;  &lt;p&gt;Gordo Neto 3083 4000&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-1752213848554345546?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/1752213848554345546/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=1752213848554345546&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/1752213848554345546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/1752213848554345546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/05/um-redemoinho-em-pleno-movimento.html' title='UM REDEMOINHO EM PLENO MOVIMENTO'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-4250109107662704946</id><published>2008-04-02T12:24:00.001-03:00</published><updated>2008-04-02T12:24:11.950-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="text-align: center;" align="center"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;MANIFESTO DO MOVIMENTO REDEMOINHO LIDO EM VÁRIAS CIDADES DO BRASIL NO DIA 27 DE MARÇO DE 2008&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Num momento em que tudo se passa como se não houvesse alternativa às formas de privatização e mercantilização da vida, coletivos teatrais de 11 estados do Brasil reúnem-se e se colocam a tarefa de afirmar a dimensão pública do seu teatro.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Em seu 4º. Encontro Anual, o Movimento Redemoinho reafirma a necessidade de criar condições sociais, políticas e econômicas para a construção de uma sociedade na qual a arte e a cultura sejam compreendidas como um direito universal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Entendemos o teatro como elaboração, na esfera do simbólico, do nosso depoimento crítico sobre a experiência de viver numa sociedade em que a cultura é mercadoria a serviço da dominação. Isso exige, por parte do Estado, o reconhecimento do direito à cultura como exercício crítico da cidadania, ou seja, a negação dos valores da concorrência, da acumulação ou concentração de renda, do preconceito e da exclusão.&lt;span&gt;   &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;O Movimento Redemoinho, portanto, não reconhece a Lei Rouanet de Incentivo como uma política pública para a cultura.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Privatizante, antidemocrática e excludente, a Lei Rouanet submete essa esfera da produção simbólica aos interesses mercantis de empresas que nada têm a ver com a idéia de cultura pública.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;O Movimento Redemoinho reafirma a necessidade de uma política pública e de continuidade, que efetivamente garanta a circulação, a manutenção, a pesquisa e a criação teatral no Brasil, reafirmando a arte como campo de pensamento e de atuação pública, fundamental para o exercício da cidadania.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;O Movimento Redemoinho propõe, então, a criação da LEI FEDERAL PROGRAMA DE FOMENTO AO TEATRO BRASILEIRO, como exemplo para a criação de uma nova política de Estado, e não de governo. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;A partir desta data tornamos pública a ação do Movimento Redemoinho de buscar em todas as cidades estabelecer vínculo com os demais grupos teatrais e agentes culturais, percebendo as necessidades locais e agindo nas esferas municipal, estadual e federal.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Este ato é o marco de uma mobilização nacional, onde os grupos participantes do Movimento Redemoinho, articulados em suas regiões, estarão propondo ações que defendam a cultura como direito inalienável do Homem e, portanto, dever do Estado para com seus cidadãos&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;REDEMOINHO – MOVIMENTO BRASILEIRO DE ESPAÇOS DE CRIAÇÃO, COMPARTILHAMENTO E PESQUISA TEATRAL&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span class="sg"&gt;    &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-4250109107662704946?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/4250109107662704946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=4250109107662704946&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/4250109107662704946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/4250109107662704946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/04/manifesto-do-movimento-redemoinho-lido.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-5048937295404820473</id><published>2008-04-02T12:22:00.000-03:00</published><updated>2008-04-02T12:23:35.187-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: center; font-family: arial;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; color: black;"&gt;Projeto "Casa n° nada – o grito da mulher desordenada" &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: center; font-family: arial;" align="center"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-size: 14pt; color: black;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(68, 68, 68);"&gt;O espetáculo conta a história de Renata, uma mulher que se depara com uma situação inesperada: ao entrar em seu apartamento não encontra nada, além do vazio. A perda de suas referências materiais, leva-a a viver no limite entre a razão e a loucura, questionando seus valores e os da sua própria sociedade, na qual a realização e a plenitude estão pautadas no consumo e na posse de bens materiais. É nesse contexto que sua vida ganha uma nova direção.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(68, 68, 68);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(68, 68, 68);"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0pt; background: white none repeat scroll 0% 50%; -moz-background-clip: -moz-initial; -moz-background-origin: -moz-initial; -moz-background-inline-policy: -moz-initial; text-align: justify; font-family: arial;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="color: rgb(68, 68, 68);"&gt;O espetáculo conta ainda com a Direção de Fábio Vidal; Produção de Mariana Serrão, Iluminação de Fábio Espírito Santo; Figurino, maquilagem e adereços de Rino Carvalho; Trilha Sonora de Luciano Bahia; Assessoria de Imprensa de Juliana Protásio; Fotografia de Zélia Uchoa e Programação Visual de Paulo Heber. Além da interpretação, Mariana Freire assina a concepção cenográfica e junto com Fábio Vidal o texto.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;span style="font-family: arial;"&gt;sextas : 15:00 h&lt;br /&gt;sabados e domingos - 20:30 h&lt;br /&gt;Local: Espaço Xisto Bahia  - Rua General Labatut- (ao lado da Biblioteca Central) - Barris - Salvador - Bahia.&lt;br /&gt;Ingresso R$ 10,00 (inteira)&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-5048937295404820473?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/5048937295404820473/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=5048937295404820473&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5048937295404820473'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5048937295404820473'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/04/projeto-casa-n-nada-o-grito-da-mulher.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-1029371448763496617</id><published>2008-03-28T10:44:00.002-03:00</published><updated>2008-03-28T10:53:28.687-03:00</updated><title type='text'>Qual é o lugar do teatro?</title><content type='html'>Tenho me perguntado isso? Qual é o lugar do teatro hoje? Nesses tempos de internet, de cinemas multiplex, de tv a cabo, de violência, de economia de gasolina, de não ter onde estacionar, de shows... Qual é o lugar do teatro? Quem vai aos teatros? Sempre vejo as mesmas caras e mesmas figuras. Quem se interessa por teatro? Os universitários? Conheço professores universitários que acham teatro o fim da picada, uma chatice sem tamanho. Se os professores universitários falam isso para seus alunos universitários e esses por sua vez formam os alunos do ensino médio e fundamental, fico a me perguntar quem gosta ou gostará de teatro.&lt;br /&gt;A minha pergunta realmente é uma pergunta sincera. Por que realmente não sei qual é o lugar do teatro hoje, diante de tantas opções de entretenimento, diante &lt;br /&gt;de suas limitações técnicas e tecnológicas e más condições de produção. Diante da falta de formação e interesse pelo teatro.&lt;br /&gt;Não sei qual é o lugar dessa arte. Sei o lugar que ela tem para mim e na vida de muitos artistas. Teatro nem sempre uma escolha, mas é algo mais forte que a capacidade de escolher para muitos.&lt;br /&gt;Mas para a platéia: qual é o lugar do teatro? Qual é a importância? E para os artistas, qual é a importância do público? O que fazer para reconquistá-lo?&lt;br /&gt;Perguntas...tomara que hajam respostas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-1029371448763496617?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/1029371448763496617/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=1029371448763496617&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/1029371448763496617'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/1029371448763496617'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/03/qual-o-lugar-do-teatro.html' title='Qual é o lugar do teatro?'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-7488539599623474665</id><published>2008-03-28T09:13:00.005-03:00</published><updated>2008-03-30T20:51:13.787-03:00</updated><title type='text'>Classe artística</title><content type='html'>Na data em que se comemora o Dia do Teatro, fui obrigada a refletir um pouco sobre o que é a classe artística do lugar em que vivo: Salvador, primeira capital da Bahia, Brasil. Para isso, dei uma fuçada na internet e vi que por esses dias rolou em Brasília uma audiência pública no Senado, para se discutir a possível criação de uma Secretária Nacional do Teatro, dentro do Ministério da Cultura.&lt;br /&gt;Além disso, a audiência pública serviu para discutir as leis de incentivo e a Lei Rouanet. A matéria trazia a consciência de que não existe uma única classe artística, mas sim várias. Por que somos vários, somos iguais em direito, mas não nos forjamos e lidamos de uma forma unitária com o mundo, com os nossos valores e idéias.&lt;br /&gt;&lt;div align="justify"&gt;A classe artística global, não é a mesma classe artística de quem a trabalha por um teatro experimental, ou quem propõe um teatro popular. Todos são artistas, mas seus ideais e propostas são diferenciados.&lt;br /&gt;Isso não é problema, problema é a divisão de recursos. É o Estado ter leis de incentivo que muito mais contribuem para  esses que cobram até um salário mínimo (valor de Rio-SãoPaulo) por ingresso, enquanto que artistas que não tem nenhum apelo comercial para patrocínio por optarem por fazer um teatro diferenciado morrem à mingua. Sem contar que a concentração dos recursos e maior capacidade de patrocínio se concentra no sudeste, enquanto o restante do país divide uma pífia porcentagem dos investimentos que já são pífios no âmbito da arte.&lt;br /&gt;Aqui, na Bahia, a discussão não é muito diferente. Não acho que exista uma única classe artística, acredito que ela é menos multifacetada que se pensarmos no restante do país, mas ela sofre dos mesmo problemas: concentração dos recursos, poucos patrocínios, mercado de trabalho inchado...&lt;br /&gt;Por essas cercanias, também reside a falta de mobilização e própria consciência política e ética. A falta de mobilização repercute que já existiram diversos fóruns de discussão, fortalecimento do sindicato, proposições de caminhos a serem seguidos, mas muitas desses debates servem muito mais de muro de lamentação e exercício de catarse, do que de encaminhamento de propostas, ações políticas. Os espaços de discussão e debate acabam ficando esvaziados e enfraquecidos. Alguns poucos carregam nas costas esforços para tentar interferir na realidade.&lt;br /&gt;O quadro não é desanimador, de modo algum. Nos últimos anos, na nossa terra se proliferaram os grupos artísticos e o número dos espetáculos é crescente. No fim de 2007 pudemos contar com o I Festival Nacional de Teatro da Bahia, feito a partir do trabalho sério e dos esforços da Cooperativa de Teatro Baiano, que vem contribuindo cotidianamente para a profissionalização da classe artística baiana e já gera frutos bem visíveis.&lt;br /&gt;Ao longo de 2007, várias reuniões aconteceram na cidade. Desses encontros, saiu um grupo de trabalho que formatou uma proposta de Lei de Fomento às Artes Cênicas na Bahia. Inspirado no modelo bem sucedido em São Paulo, essa proposta de lei foi adaptada às necessidades locais e  incorporou a Dança e o Circo. O texto está circulando pela internet e precisa de assinaturas e da&lt;br /&gt;aprovação da classe artística dessa terra.&lt;br /&gt;Rolaram também a conferência estadual, que integrou artistas de toda a terra, a fim de discutir e encaminhar propostas e perceber quais são as demandas dessa classe.&lt;br /&gt;É um momento fértil. Não há como negar.&lt;br /&gt;Sim, ainda não vivemos um momento perfeito. Mas como essa classe artística pode se articular de forma inteligente, politizada e ética para solucionar esses problemas. Como os atores podem se enxergar como atores sociais e não como seres à parte dessa sociedade para agir no seu próprio mercado. Assim como a turma da cooperativa, como a proposta de lei de fomento...e tantas outras ações que podem ser feitas.&lt;br /&gt;E sobretudo ética...ética é fundamental para qualquer ser humano. Não podemos criticar modelos políticos, econômicos, culturais e até morais sem termos ética. E infelizmente, nessas muitas classes artísticas, há recursos nada nobres sendo utilizados.&lt;br /&gt;A internet que é um meio poderoso de discussão, mobilização, muitas vezes é utilizada para disseminar fofocas, discórdia e denúncias baseadas em achismos... e o que isso gera? O que se põe em pauta mesmo? O que se transforma? A antiga discussão de mesa de bar entra no meio virtual. Só que palavras ditas na mesa de bar, o vento leva...já no meio virtual...&lt;br /&gt;os bits, bytes registram tudo.&lt;br /&gt;Há que se ter cuidado para não sermos artistas levianos.&lt;br /&gt;Essa classe artística que passou quase 20 anos muda, pouco engajada na vida política e discutindo pouco política cultural hoje faz isso com mais intensidade. È formidável mesmo. Hoje discutir política cultural é algo que faz parte das rodas de conversa, dos programas de rádio, das revistas.&lt;br /&gt;E isso é uma novidade. Mas como fazer isso com ética, com embasamento e coerência? Como não perdermos de vista nosso tempo e contexto histórico e político. A natureza não dá saltos, nem as políticas públicas. Assim, um estado de coisas que está instaurado há décadas não vai mudar em um ano de gestão de uma secretária que tem poucos recursos...como é que agimos de forma articulada e política para não somente criticar (que é necessário), mas especialmente para contribuir e transformar.&lt;br /&gt;Enfim, o artista é um cidadão, um trabalhador como outro qualquer. A matéria que usa sim é a dos sonhos, mas também é o serrote, a porca, a fita crepe. O artista precisa ser tão ético quanto o psicólogo. Tão politizado como um advogado. Tão integrado como os operários.&lt;br /&gt;Uma classe policamente frágil como a nossa (porque permitimos isso) necessita de integração e ética. Aceitação respeitosa das diferenças. Porque somos diferentes, temos ideias diferentes.&lt;br /&gt;Mas como ser diferente, sem passar por cima de ética e valores? Essa precisa ser a nossa busca&lt;br /&gt;enquanto artistas, cidadãos e humanos.&lt;br /&gt;Ou tô sendo utópica?&lt;br /&gt;Espero que não.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-7488539599623474665?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/7488539599623474665/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=7488539599623474665&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/7488539599623474665'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/7488539599623474665'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/03/classe-artistica.html' title='Classe artística'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-14394547308912154</id><published>2008-03-21T23:55:00.003-03:00</published><updated>2008-11-13T06:53:33.915-03:00</updated><title type='text'>LEITURA EM VOX ALTA</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/R-R2FvSW_TI/AAAAAAAAAOM/PLaAozG7mJM/s1600-h/murocartaz.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://3.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/R-R2FvSW_TI/AAAAAAAAAOM/PLaAozG7mJM/s200/murocartaz.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5180395312347807026" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;O grupo &lt;b&gt;Vilavox&lt;/b&gt;, residente do &lt;b&gt;Teatro Vila Velha&lt;/b&gt;, dá seguimento nesta terça-feira, dia 25 de março, às 19h, ao projeto Leitura em Vox Alta, que consiste em um exercício de reconhecimento a importantes textos da dramaturgia brasileira. O ciclo de leituras, elaborado pela pesquisadora Silvana Garcia e iniciado no último dia 11, continua com o texto &lt;b&gt;"Muro de Arrimo"&lt;/b&gt; de &lt;b&gt;Carlos Queiroz Telles&lt;/b&gt;, com direção de Cláudio Machado e entrada franca.    &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A primeira etapa do projeto teve início com o texto &lt;b&gt;"A Resistência"&lt;/b&gt;, de Maria Adelaide Amaral, e contou com a participação de estudantes, professores e profissionais do jornalismo na platéia e bate-papo após a leitura. O Coordenador do grupo, Gordo Neto, explica que a intenção do projeto é promover a reflexão e o debate acerca dos temas levantados pelos textos. Nesta primeira etapa, o grupo destaca a dramaturgia do chamado "teatro de resistência", com textos da época da ditadura militar, mais especificamente da segunda metade da década de 70.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;O convidado da noite para o bate-papo depois da leitura é o advogado e autor teatral &lt;b&gt;César Vieira&lt;/b&gt; (Adibal Pivetta), do &lt;b&gt;Teatro União e Olho Vivo – TOUV&lt;/b&gt;.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Além de conversar com a platéia e o elenco, César Vieira vai lançar o livro "Em busca de um teatro popular" editado pela FUNARTE, que conta a história do grupo que completou 40 anos.&lt;span&gt;  &lt;/span&gt;Também destaca-se a participação do &lt;b&gt;Fernando Fulco&lt;/b&gt;, convidado do grupo para ler o personagem Lucas.&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;A expectativa de um pedreiro, conversando sozinho numa obra enquanto ouve seu radinho horas antes do jogo decisivo da seleção na copa do mundo é o mote da peça que discorre sobre importantes fatos e momentos históricos da época. O milagre econômico, a esperança da nação, o medo da morte, a influência da TV, as condições do operariado, a repressão e o isolamento são só alguns dos aspectos levantados pela obra, plausível pela forma como consegue metaforizar e desenvolver seus raciocínios de forma a "burlar" a censura, característica marcante nas mais diversas formas de arte da época.&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","\u003cspan\u003e\u003c/span\u003e \u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e \u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eO texto e o dramaturgo – O texto foi escrito em 1975 a partir de uma notícia de jornal do ano anterior, em que o Brasil acabou em quarto lugar na copa, \u003ci\u003ee perpassa a antiga relação entre política e futebol, entre as duras condições de vida e uma ilusória e efêmera expectativa de glórias.\u003c/i\u003e A montagem da estréia contou com direção de Antônio Abujamra e revelou \u003cb\u003eAntônio Fagundes\u003c/b\u003e no papel principal. Segundo o professor Marco Antônio Guerra \u0026quot;Carlos Queiroz Telles aponta também para uma nova forma de autor no Brasil pós-64: não mais aquele criador único, de significados únicos, com uma trajetória de vida linear, mas sim, como indivíduo construído e reconstruído por fatores sociais e ideológicos, cuja identidade não paira acima desses fatores e nem se desenvolve por uma lógica interna autônoma. Pelo contrário, é na relação profunda entre as estruturas existentes e sua produção dramatúrgica que reside grande parte de sua importância no quadro da cultura brasileira.\u0026quot;\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e \u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eCompletam a obra do autor, que foi um dos fundadores do Teatro Oficina, os textos \u003ci\u003eA Semana, Frei Caneca\u003c/i\u003e, \u003ci\u003eA Viagem\u003c/i\u003e, \u003cem\u003eA Bolsinha Mágica de Marly Emboaba, \u003c/em\u003e\u003ci\u003eArte Final, A Heróica Pancada, Um Trágico Acidente \u003c/i\u003ee o infantil \u003ci\u003eA Revolta dos Perus,\u003c/i\u003e\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e \u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eO grupo - O Vilavox é um dos grupos residentes do Teatro Vila Velha, em Salvador, Bahia. Criado em 2001, já produziu quatro espetáculos, onde a música se aliava ao teatro e à pesquisa de movimentos, resultando sempre montagens com forte apelo rítmico. O primeiro foi \u003cb\u003eTrilhas do Vila\u003c/b\u003e, por ocasião do lançamento do CD de mesmo nome, com trilhas sonoras compostas por Jarbas Bittencourt, diretor musical do grupo, para diversos espetáculos do Teatro Vila Velha.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e \u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eO segundo foi \u003cb\u003e",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;&lt;span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;O texto e o dramaturgo&lt;/span&gt; – O texto foi escrito em 1975 a partir de uma notícia de jornal do ano anterior, em que o Brasil acabou em quarto lugar na copa, &lt;i&gt;e perpassa a antiga relação entre política e futebol, entre as duras condições de vida e uma ilusória e efêmera expectativa de glórias.&lt;/i&gt; A montagem da estréia contou com direção de Antônio Abujamra e revelou &lt;b&gt;Antônio Fagundes&lt;/b&gt; no papel principal. Segundo o professor Marco Antônio Guerra "Carlos Queiroz Telles aponta também para uma nova forma de autor no Brasil pós-64: não mais aquele criador único, de significados únicos, com uma trajetória de vida linear, mas sim, como indivíduo construído e reconstruído por fatores sociais e ideológicos, cuja identidade não paira acima desses fatores e nem se desenvolve por uma lógica interna autônoma. Pelo contrário, é na relação profunda entre as estruturas existentes e sua produção dramatúrgica que reside grande parte de sua importância no quadro da cultura brasileira."&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Completam a obra do autor, que foi um dos fundadores do Teatro Oficina, os textos &lt;i&gt;A Semana, Frei Caneca&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;A Viagem&lt;/i&gt;, &lt;em&gt;A Bolsinha Mágica de Marly Emboaba, &lt;/em&gt;&lt;i&gt;Arte Final, A Heróica Pancada, Um Trágico Acidente &lt;/i&gt;e o infantil &lt;i&gt;A Revolta dos Perus,&lt;/i&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;O grupo - O Vilavox é um dos grupos residentes do Teatro Vila Velha, em Salvador, Bahia. Criado em 2001, já produziu quatro espetáculos, onde a música se aliava ao teatro e à pesquisa de movimentos, resultando sempre montagens com forte apelo rítmico. O primeiro foi &lt;b&gt;Trilhas do Vila&lt;/b&gt;, por ocasião do lançamento do CD de mesmo nome, com trilhas sonoras compostas por Jarbas Bittencourt, diretor musical do grupo, para diversos espetáculos do Teatro Vila Velha.&lt;/p&gt;   &lt;p style="text-align: justify;"&gt;O segundo foi &lt;b&gt;&lt;script&gt;&lt;!-- D(["mb","Almanaque da Lua\u003cspan\u003e\u003c/span\u003e \u003c/b\u003e, onde, à maneira de um almanaque, eram apresentadas curiosidades, lendas e canções sobre a lua. No terceiro, \u003cb\u003ePrimeiro de Abril\u003c/b\u003e, o golpe militar de 64 foi apresentado numa colagem de fatos históricos, personagens reais e fictícias, uma banda de rock ao vivo e dezoito atores-cantores dando voz ao episódio político que até hoje influencia a vida da nação. \u003cb\u003eCanteiros de Rosa\u003c/b\u003e – uma homenagem a Guimarães é o quarto espetáculo do grupo, sempre contando com músicas originais de Jarbas Bittencourt. A palavra e o ritmo da prosa de Guimarães são a inspiração desse espetáculo que versa sobre a loucura, a diferença, o estar a margem, temas comuns à obra do autor mineiro.\u003c/p\u003e\n\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e \u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003e\u003cb\u003eServiço:\u003c/b\u003e\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eO que: Projeto Leitura em Vox Alta\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eQuando: 25 de março, às 19h\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eOnde: Cabaré Café do Teatro Vila Velha\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eQuem: Grupo Vilavox e convidados\u003c/p\u003e\n\u003cp style\u003d\"text-align:justify\"\u003eEntrada Franca\u003c/p\u003e\u003cbr clear\u003d\"all\"\u003e\u003cbr\u003e-- \u003cbr\u003e",1] );  //--&gt;&lt;/script&gt;Almanaque da Lua&lt;span&gt;&lt;/span&gt; &lt;/b&gt;, onde, à maneira de um almanaque, eram apresentadas curiosidades, lendas e canções sobre a lua. No terceiro, &lt;b&gt;Primeiro de Abril&lt;/b&gt;, o golpe militar de 64 foi apresentado numa colagem de fatos históricos, personagens reais e fictícias, uma banda de rock ao vivo e dezoito atores-cantores dando voz ao episódio político que até hoje influencia a vida da nação. &lt;b&gt;Canteiros de Rosa&lt;/b&gt; – uma homenagem a Guimarães é o quarto espetáculo do grupo, sempre contando com músicas originais de Jarbas Bittencourt. A palavra e o ritmo da prosa de Guimarães são a inspiração desse espetáculo que versa sobre a loucura, a diferença, o estar a margem, temas comuns à obra do autor mineiro.&lt;/p&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Serviço:&lt;/b&gt;&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;O que: Projeto Leitura em Vox Alta&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quando: 25 de março, às 19h&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Onde: Cabaré Café do Teatro Vila Velha&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Quem: Grupo Vilavox e convidados&lt;/p&gt; &lt;p style="text-align: justify;"&gt;Entrada Franca&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-14394547308912154?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/14394547308912154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=14394547308912154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/14394547308912154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/14394547308912154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/03/leitura-em-vox-alta.html' title='LEITURA EM VOX ALTA'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/R-R2FvSW_TI/AAAAAAAAAOM/PLaAozG7mJM/s72-c/murocartaz.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-5683060575603775402</id><published>2008-03-19T22:05:00.002-03:00</published><updated>2008-03-19T22:52:54.256-03:00</updated><title type='text'>Pelos Teatros</title><content type='html'>&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru:&lt;/span&gt; a peça tem texto de Haydil Linhares (que também atua) e data dos anos 70. O espetáculo é a quinta montagem da Outra Companhia de Teatro.&lt;br /&gt;De quinta à domingo, às 20h no Palco Principal do Teatro Vila Velha.&lt;br /&gt;Às quintas, o ingresso tem valor promocional: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)&lt;br /&gt;De sexta à domingo, o valor é R$20,00 (inteira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold; color: rgb(153, 153, 0);"&gt;Cookie:&lt;/span&gt; depois de uma série de experimentações e apresentações do trabalho em processo, estréia o espetáculo de Dança e Contato Improvisação, de 18 a 27 de março, às 20h. Uma realização do Núcleo Vaga Para.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rasputin: musical em cartaz no Teatro dos Correios, às 20h. Último final de semana, sábado e domingo, dias 28 e 29 de março. Entrada: doação de 1kg de alimento não perecível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As estrelas de Orinoco: comédia musical, premiada com o Braskem  de  Melhor&lt;br /&gt;Atriz em 2007.–Curta  temporada no Teatro Martim Gonçalves, às 20h.&lt;br /&gt;Dias:  20,21,21,23,28,  29  e  30  de  março  às  20h&lt;br /&gt;Ingressos;  R$  16,00  (inteira) e  R$  8,00  (meia).&lt;br /&gt; Promoção  compra  antecipada:  R$  10,00  e  R$  5,00&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-5683060575603775402?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/5683060575603775402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=5683060575603775402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5683060575603775402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5683060575603775402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/03/pelos-teatros.html' title='Pelos Teatros'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-6600068905380620348</id><published>2008-03-19T22:02:00.001-03:00</published><updated>2008-03-19T22:05:01.994-03:00</updated><title type='text'>Casa da Atriz Backs Again</title><content type='html'>Foi mal gente. Dei uma freada na escrita. Uma sumida dos teatros. Da escrita sobre.&lt;br /&gt;Mas o blog volta à ativa e espero com melhor freqüência.&lt;br /&gt;Compromisso, juro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-6600068905380620348?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/6600068905380620348/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=6600068905380620348&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6600068905380620348'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6600068905380620348'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2008/03/casa-da-atriz-backs-again.html' title='Casa da Atriz Backs Again'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-7355219102962418947</id><published>2007-11-28T10:36:00.000-03:00</published><updated>2007-11-28T10:52:40.158-03:00</updated><title type='text'>Feminino, repressão, nossos tempos</title><content type='html'>&lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;Ainda que sob discrição, sob as vestes de um país exuberante e moderno, nessa terra corre nas veias a febre do machismo. Por aqui, as mulheres ladras são encarceradas junto a dezenas de homens. Porque para mulher não basta pagar, cumprir pena. Antes do julgamento, tem que servir a uma manada, com seus olhos, mãos, sexo e sangue. Tem que servir em bandeja a sanha cruel de delegados, outras mulheres delegadas. Precisam ser a chacota. A diversão. O esquecimento. E em rede nacional se discute: era menor? Era louca? Eles não sabiam a idade dela. E eu me pergunto: e isso interessa? Ela era mulher e ponto. Dane-se a idade. Não devia ser obrigada a servir ninguém em troca de comida, de água, ou da própria vida. Era mulher e pronto. Isso devia bastar.&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-style: italic;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style="font-weight: bold;"&gt;A Casa de Bernarda Alba&lt;/span&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sei que não tem relação direta. Mas enfim, começo a falar sobre A Casa de Bernarda Alba, de Federico Garcia Lorca, encenada, traduzida e adaptada por Fabiana Monçalu, a partir da reflexão sobre o feminino, o que é ser mulher por essas terras de cá. Embora falando de um outro tempo, de um outro parâmetro, as palavras de Lorca estão longe de serem anacrônicas, estão longe de terem menos sentido. Ainda é tempo de repressão. Ainda é tempo de corpos femininos reprimidos, minimizados. Ainda é tempo de mulheres de grito abafado, de gemidos em silêncio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Lorca afeito às narrativas sobre o matriarcado traz à tona a história dessa família de mulheres capitaneadas pela matrona Bernarda. Encarceradas e vigiadas pela mãe, essas mulheres não saem de casa, nem conhecem homem. Não há na vila, varão digno de desposar uma das cinco filhas da matriarca. Não há homem, exceto Pepe Romano, sujeito mais apessoado da comunidade, que estranhamente mostra-se encantado pela mais velha e feia, mas também mais rica das filhas de Bernarda.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E a história se desenovela nesse ambiente causticante, asfixiante. Desde cedo elas sabem que devem servir ao seu homem, pouco perguntar, apenas responder, reagir. Olhar se eles as olham. Falar se eles com elas falam. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Para encenar esse clássico da dramaturgia de língua latina, Fabiana Monçalu recorre a diversos elementos que contribuem para que suas atrizes e atores mergulhem no universo de Lorca, levando consigo o espectador, que é convidado a adentrar na intimidade da casa de Bernarda. A opção por realizar o espetáculo no velho solar do tradicional Colégio Dois de Julho, no bairro do Garcia, em si já leva o receptor para dentro de um ambiente antigo, decadente numa medida, mas também austero e aterrador. Ainda que arruinado, o ambiente recorre a uma imponência, não diferentemente daquela família, ora sem homens, já sem riquezas, de luto e sem espaços para o sorriso. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;A diretora fez a opção de ter como intérprete de Alba um ator (Amarílio Sales, que defende a sua personagem com maestria e presteza), que em muitos momentos pode confundir o espectador, com tamanha feminilidade, mas também contundência com que vive a matriarca. A escolha remete ao entendimento que embora sob saias e vestes de fêmea, Bernarda não defende interesses do feminino, mas colabora para a manutenção de um poder, de uma ordem favorável ao gênero dos machos. Esta mãe, sob o discurso da moral, da decência e do nome da família, asfixia suas filhas, mas especialmente oprime em si e no outro o feminino.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outra escolha bastante funcional é pela ênfase corporal na construção das personagens, que trazem um que de zoomorfo, animalesco. São mulheres cobra, cavalo, pássaro. Com seus tiques, com seus corpos vivos, olhos arteiros, de águia. Corpos vivos e expressivos que não deixam escapar a palavra bem dita e valorizada em todo o texto. Juntos, corpo e palavra levam o espectador em uma dança frenética, mas também tensa. As coreografias pontuam os momentos críticos do texto, dinamizando a encenação, mas especialmente contribuindo na narrativa e na ação. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Outro homem interpreta uma mulher, a criada &lt;st1:personname productid="La Poncia"&gt;La Poncia&lt;/st1:personname&gt; (muito bem vivida pelo ator André Rosa), que tem a língua solta para questionar as atitudes de Bernarda. Diferentemente das demais personagens que de luto vestem o preto, &lt;st1:personname productid="La Poncia"&gt;La Poncia&lt;/st1:personname&gt; traz as vestes coloridas e vivas. Pois talvez ela seja a única nessa condição. Seja a única a ter voz e liberdade, ainda que subordinada socialmente e financeiramente. Mas sim, aqui também se vê um homem.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E em busca de ar e vida, essas mulheres desejam esse único homem próximo, Pepe Romano, homem que não as ama, não as salva, mas é sim, pivô da desdita de todas. A tragédia se afirma, mas ordem não se altera. Bernarda continua no seu lugar de poder, ainda que sob os gritos, gemidos e sangue de suas meninas. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E oprimida, eu saio do teatro a pensar: é isso uma antiga ficção? Seria mesmo?&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-weight: bold;" class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;A Casa de Bernarda Alba&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Direção e Adaptação: Fabiana Monçalu&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Onde: Solar Conde dos Arcos - Colégio Dois de Julho (Av. Leovigildo Filgueiras - Garcia)&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;Quando: sexta, sábado e domingo, às 20h&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-7355219102962418947?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/7355219102962418947/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=7355219102962418947&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/7355219102962418947'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/7355219102962418947'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/11/faminino-represso-nossos-tempos.html' title='Feminino, repressão, nossos tempos'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-2482735078533650856</id><published>2007-10-31T09:41:00.000-03:00</published><updated>2008-11-13T06:53:34.341-03:00</updated><title type='text'>Festival de Teatro da Bahia</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ryh6H6aXPyI/AAAAAAAAAH8/_N-AynnSa_s/s1600-h/banner_canteiros.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ryh6H6aXPyI/AAAAAAAAAH8/_N-AynnSa_s/s400/banner_canteiros.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127482452118814498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ryh5z6aXPxI/AAAAAAAAAH0/rkle-voJJVE/s1600-h/banner_festival.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ryh5z6aXPxI/AAAAAAAAAH0/rkle-voJJVE/s400/banner_festival.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5127482108521430802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Bem, em meio a tanta "crise", um momento único para as artes cênicas na Bahia está acontecendo. Salvador abrigará de 1° a 10 de novembro o I Festival Nacional de Teatro da Bahia, reunindo espetáculos teatrais baianos e de tantas outras localidades brasileiras. Grupos profissionais, amadores, universitários, solos, performances, mostras e oficinas vão movimentar os palcos da cidade. A programação está disponível no endereço: www.cooperativabaianadeteatro.com.br/festival.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveito para fazer o convite a todos para assistir a curta temporada de Canteiros de Rosa, dentro da programação do Festival. Dias 2, 3 e 4 de Novembro, às 20h, no Palco Principal do Vila Velha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-2482735078533650856?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/2482735078533650856/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=2482735078533650856&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2482735078533650856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2482735078533650856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/10/festival-de-teatro-da-bahia.html' title='Festival de Teatro da Bahia'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ryh6H6aXPyI/AAAAAAAAAH8/_N-AynnSa_s/s72-c/banner_canteiros.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-6420932475814555579</id><published>2007-10-31T09:20:00.000-03:00</published><updated>2007-10-31T09:41:33.506-03:00</updated><title type='text'>Crise sem apogeu</title><content type='html'>Então, tá na capa da revista. Tá no jornal. Dizem que a Bahia está vivendo uma crise na cultura. Aí eu me pergunto: crise? Crise, para mim, até onde sempre soube entendi, representa um declínio de alguma coisa. Uma ruptura, uma quebra, que promove uma série de acontecimentos de ordem negativa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No Prêmio Braskem desse ano, os espetáculos vencedores de muitas categorias não contaram com patrocínio. Nem apoio. Foram feitos com pequenos apoios, com recursos tirados dos bolsos dos elencos, das direções. Minha família mora no Pelourinho. A reforma foi feita à forceps. Famílias ludibriadas, recebendo indenizações pífias, muito aquém do tempo de vida nas casas. Os bares do Pelourinho estão às moscas há alguns verões. Aliás o Pelourinho só é entretenimento para turista e no verão. Não há uma programação voltada para os baianos e não é coisa de 2007. Os editais para cultura aconteciam bem vagarosamente e de caju em caju, se bem me lembro. Também nunca tive notícia de uma conferência discutindo cultura. Ou do Sr. Mário Kertez versando sobre o assunto em seu programa de rádio. Nem da TV Bahia preocupada com algo além da cultura axé, que é do que ela entende. Ah, sim, cultura axé. Essa é a única música que a Bahia produz, decerto, porque é só para onde os dinheiros do Fazcultura iam. Era para o axé e seu carnaval privatizado que iam recursos da Emtursa. Na Bahia, músico que quer respirar outros gêneros musicais, fazer um trabalho autoral, de qualidade, tem que se bancar, ou arranjar outro emprego...&lt;br /&gt;Esse sempre foi o quadro. Qual é a crise?&lt;br /&gt;Crise é buscar fiscalizar, fazer auditorias em certos espaços? Buscar agir na legalidade? Propor uma política cultural diferenciada, para os baianos, descentralizada, compartilhada e discutida por outros baianos além os dos séquitos que sempre tiveram financiamentos? A única emissora de tv que cobriu a Conferência de Cultura mostrou gente de toda natureza, classe social e região da Bahia construindo uma proposta de política cultural. Onde estavam aqueles que dizem tanto fazer pela cultura dessa terra? Por que não sentaram lá para propor um caminho novo? Ou já que não desejam o novo, por que não propuseram a cultura festiva carlista do axé? A sua continuidade. Que é do que gostam...&lt;br /&gt;E o pior de tudo é ver órgãos de imprensa se prestando a um papel vergonhoso, tendencioso e anti-ético porque não dizer... Porque é legítimo sempre pensar na manutenção das hegemonias? Dos grupos políticos que sufocam as maiorias? Por que os que alardeiam defender os direitos do povo não conseguem limpar os olhos míopes e turvos dos seus próprios interesses? Difícil ter a honestidade de assumir que só defendem a si mesmos, aos seus próximos...&lt;br /&gt;Triste imprensa baiana. Eterna triste Bahia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-6420932475814555579?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/6420932475814555579/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=6420932475814555579&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6420932475814555579'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6420932475814555579'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/10/crise-sem-apogeu.html' title='Crise sem apogeu'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-8312835704282113650</id><published>2007-09-27T08:42:00.001-03:00</published><updated>2007-09-27T10:12:13.159-03:00</updated><title type='text'>Que cultura queremos?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Assisto perplexa a um almoço em praça pública, em jornal, tevê, rodas de conversa. O almoço sobre a carne de quem tenta quebrar modelos tortos de se fazer cultura. A cultura na Bahia era como uma festa, cujo aniversariante convida 100 convidados, mas só concede a fatia do bolo para cinco, seis no máximo.&lt;span style=""&gt;  &lt;/span&gt;Um bolo construído à custa dos 100 convidados, que quase sempre ficam a ver navios. A sentir fome. As verbas do Fazcultura dessa terra eram centralizadas em Salvador, nas mãos de pouco mais de 20 produtores. 93% da cultura da Bahia era empregada na capital. Migalhas para o restante desse estado, que é quase um continente.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;O Pelourinho é hoje o “mártir” para a imprensa baiana. É também o algoz da Secretaria de Cultura do estado, que busca quebrar os vícios instaurados naquele terreno por anos. Sim, os bares estão às moscas, não há graça nenhuma hoje no Centro Histórico de Salvador. Mas é papel do governo pagar as atrações musicais que vão atrair público para as casas noturnas da região? É papel de o governo investir no mercado do entretenimento local? Quando vou aos bares do Rio Vermelho, assisto a programações culturais que os comerciantes locais viabilizam. Assim é na Ribeira, assim é na Orla, assim é em qualquer lugar dessa e de qualquer terra. No vício do Pelourinho, é papel do estado pagar as atrações musicais ou culturais para lotar os bares e restaurantes. Ou pior, investir em atrações privadas, cedendo um espaço público para produtores locais cobrarem ingressos exorbitantes. É essa a cultura que sempre foi, é essa a cultura que essa população espera?&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E no meio dessa história toda, um teatro que por anos, sim, contribuiu para a cultura soteropolitana. Espaço para artistas da terra, mas mais do que isso, espaço para um público novo, que desconhecia outros palcos e que podia ali assistir a espetáculos de qualidade, a conhecer aquilo que se chama teatro. O Theatro XVIII, que hora, tem as portas fechadas foi por muito um feliz espaço que promoveu a democratização do acesso a cultura, a formação de novas platéias. Talvez, pouco aberto para artistas não tão próximos da administração do teatro, um tanto focado num séqüito, mas por outro lado, uma casa que dava acesso a um público diferente, a cidadãos que não conheciam outras salas, outros atores, outras peças. Àqueles que não dispunham de convites ou recursos para verr outros espetáculos.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Ok. Esse teatro fez muito pela cultura de Salvador, mas isso não o isenta de fiscalização, visto que há ali recursos públicos. Da mesma forma como é feito nas organizações sociais que conheço. Se eu uso um recurso que é do estado, é meu dever prestar contas. Assim como é dever do estado pedir explicações dos gastos. Se eu afirmo que vou gastar com cultura, que sentido tem eu entregar uma comprovação de agropecuária? Uma nota fiscal que não cabe para aquele universo com o qual estou afirmando trabalhar. Trabalho com organizações e recebo minha remuneração através da estrutura de pessoa jurídica. Se meu trabalho é com comunicação, só posso usar uma nota fiscal da área de comunicação. Não posso ser jornalista e dar a meu cliente uma nota fiscal da quitanda...é natural então, que meu cliente não aceite essa nota, que ele questione. Há algo de errado.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Assim, pergunto. O que há de errado com a Secretaria de Cultura proceder na letra da lei? Essa terra é tão tonta, tão tosca, que quando a lei é cumprida, as pessoas se sentem ultrajadas, humilhadas... não sei. Será que precisamos dar um jeitinho? Por mais gente boa que eu seja, se minhas contas estão pouco corretas, se a prestação não está de acordo, não posso me queixar se o meu parceiro financeiro exige o recurso de volta. Se há erros...se há pendências ou coisas questionáveis. É assim nos lugares em que trabalho, em qualquer empresa. Assim deve ser no estado. Presumo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas não é o que a imprensa mostra. O Governo é execrado por cumprir sua lei. É execrado por exigir que os comerciantes invistam em seus próprios empreendimentos. Que recursos o Governo investe no Rio Vermelho? Que incentivos são dados para os bares dessa região? O que justifica um tratamento diferenciado com o Pelourinho? Sim, falta segurança... como falta segurança no próprio Rio Vermelho, no Campo Grande, na Piedade (onde morro de medo de transitar à noite), em Plataforma, no Bonfim, no Cabula. Falta segurança nessa terra inteira...o Pelourinho não deve ser privilegiado, nem mártir.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Pela primeira vez na existência dessa Bahia, acontecem encontros por várias localidades para se discutir que cultura as pessoas desse estado desejam. Que cultura queremos. Nunca vi isso aqui. Nunca me perguntaram. Nem aos amigos de Feira de Santana, Vitória da Conquista, Senhor do Bonfim, entre tantos cantos...que cultura queremos, baianos? A cultura maquiada? Queremos investimentos da cultura do trio elétrico? Em blocos que cobram mais que nossos salários para tocar uma música pasteurizada? Queremos a cultura de uma dúzia de produtores endinheirados nesse estado que tem pelo menos quatro centenas de municípios? Queremos o Governo do Estado investindo em festas fechadas de camisa? É essa a cultura que queremos? Se é essa, provavelmente, esse sujeito que aí está não é a pessoa...&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E quanto ao XVIII torço que volte com todo gás, abrindo as portas para tantos baianos. Mas que volte organizado, bem administrado, como deve ser qualquer instituição. Seja ela da cultura, farmácia, movimento social.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Falo como artista, moradora do Pelourinho, ativista social, freqüentadora do XVIII, sonhadora.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-8312835704282113650?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/8312835704282113650/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=8312835704282113650&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8312835704282113650'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/8312835704282113650'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/09/que-cultura-queremos.html' title='Que cultura queremos?'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-2247596151526121855</id><published>2007-09-27T08:40:00.000-03:00</published><updated>2007-09-27T08:41:14.821-03:00</updated><title type='text'>Zé Celso é anacrônico?</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Há uns anos atrás eu assistia a uma discussão na minha sala de Estética da Comunicação: Zé Celso Martinez faz há trinta anos a mesma coisa. Era o que dizia uma colega. Eu, aspirante à atriz, mas pouco conhecedora do Teatro Oficina, só fazia observar e nada intervir o responder. Que podia eu dizer? Do Oficina só sabia das suas histórias de resistência à ditadura e de muita gente nua. Oito anos se passaram, mas a discussão continua. Zé Celso é anacrônico, afirmam muitos. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Na primeira semana de setembro (desculpem, ando escrevendo muito atrasadamente), o Teatro Oficina Uzina Uzona teve uma passagem por Salvador apresentando a saga de &lt;i style=""&gt;Os Sertões&lt;/i&gt;, a peça inteira, dividida em cinco noites, totalizando 32 horas de espetáculo. Não sei eu se isso é anacronismo, mas sei que em Salvador, mais de 1h30 de peça já é motivo de muxoxo e chiadeira na platéia. Fui tentando responder a essa pergunta, mas confesso que não me é possível. Me falta bagagem, me falta conhecer mais daquele teatro. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Mas me sobrou uma impressão contrária. Não de anacronismo. Se falamos de tempo é preciso reconhecer que é o tempo hoje relativo. E se ele é relativo, o tempo muda de ponto de vista para ponto de vista. Logo, para a estética teatral vigente em Salvador, para a nossa forma de fazer teatro hoje, posso afirmar que aquilo que Zé Celso constrói no palco está longe de ser anacrônico. Talvez ele o seja em sua terra natal, talvez o seja na Alemanha. Mas para os nervos dos baianos, tudo aquilo soa novo, soa uma experiência ainda não vivida.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E eu, aspirante a atriz e jornalista de férias, me vi diante de uma vivência muitas vezes atávica. Quero dizer, que em tantos momentos, me sentia fora desse tempo. Desse tempo de hoje, das mensagens tão rápidas, tão diretas, da necessidade de dizer tudo de uma forma meio mais simples, meio sem consumir muito o tempo do outro, que tem pressa. Atávica por tantos momentos me via dentro de cirandas, de rituais, de transes, mas também de raciocínios. Nada me surpreendia de fato. E não sei se essa falta de surpresas é para alguns anacronismo. Para mim, a novidade era me sentir numa experiência que podia tanto ser próxima daquela que aprendi nos livros como era o modo de assistir ao teatro grego. Uma proximidade, um aroma daquele outro tempo. Também não sei se é isso anacronismo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Sim, há excessos, a verborragia, há baco em excesso pra Canudos. Há um Antônio Conselheiro liberal demais, há uma enxurrada de auto-referencialidade, há um punhado que cansam, que escapam. Mas há uma disponibilidade de fazer um teatro tão verdadeiro, tão entregue. Tão nu. Tão fiel aos seus propósitos. E dane-se o público. E que venha o público e vá ao centro do palco, como estrela principal. E faça parte. E dance. &lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-2247596151526121855?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/2247596151526121855/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=2247596151526121855&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2247596151526121855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2247596151526121855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/09/z-celso-anacrnico.html' title='Zé Celso é anacrônico?'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-5397757618546747830</id><published>2007-08-20T13:55:00.000-03:00</published><updated>2008-11-13T06:53:34.861-03:00</updated><title type='text'>A obra de Caetano Veloso por Fabio Vidal</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/RsnI4s5C4jI/AAAAAAAAABg/vsaVXoReu0g/s1600-h/DSC04297.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5100828929422451250" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/RsnI4s5C4jI/AAAAAAAAABg/vsaVXoReu0g/s400/DSC04297.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Velôsidade Máxima 2&lt;br /&gt;O personagem Narciso (Um corpo sonhador) transita em mundo dentro de mundos, formado pela obra poética de Caetano Veloso, contida nas letras de suas canções, recriada para cena pelos experimentos cênicos do ator-performer, diretor e autor Fabio Vidal.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O Theatro XVIII, que já recebeu Fabio Vidal nas encenações Seu Bomfim e ERÊ- Eterno Rêtorno é o espaço que abrigará esse sonho coletivo que a cada dia terá participações especiais de atores, dançarinos, encenadores, filósofos ou professores, refrescando e incrementando as apresentações com relatos, atuações, movimentos e sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Uma encenação mutante, que apresenta uma narrativa descontínua, variante no tempo e no espaço, adentrando em planos de fantasia e memória, propiciando uma fusão de realidades e ficções, sendo ressaltados e pontuados os signos e mitos presentes na obra de Caetano Veloso. Aqui se vê a multiplicidade de "Eus" que Caetano presentifica com suas estrelas, luas, sóis, amores, Brasis, carnavais, cores, nomes, livros, línguas, gentes, Bahias e mundos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Várias possibilidades de utilização das composições foram testadas: criação de personagem, fusão de letras, danças, cantos, expressividades vocais, contação de histórias, relatos, leituras, para gerar uma escritura cênica singular. Constelações temáticas reconstruídas e adaptadas à cena nesta pesquisa de mestrado do Programa de Pós Graduação em Artes Cênica (PPGAC) UFBA.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Este trabalho é fruto de um projeto sobre o fazer teatral baseado na autonomia do ator/atuante. Constituem-se territórios nômades em favor da vida. Espaços para expressividades, efetivação de diferenças criativas onde a práxis e o experimentalismo oferecem instaurações estéticas e libertárias. A procura de um teatro do acontecimento. Afetos, percepções, inquietações, urgências e sensações como fontes geradoras do material cênico.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Brasil, Mundo, Tropicalismo, Processo Criativo, Teatro, performance, dramaturgia, encenação, semiologia, espaço, tempo, criatividade, teatro físico, atuação, público/audiência, MPB, música e poesia são motes recorrentes que se desenvolvem em Velôsidade Máxima 2.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;SOBRE FABIO VIDAL –&lt;br /&gt;Ator performer, autor e diretor. É mestrando pela UFBA. Formado em Interpretação Teatral – (Bacharelado/ UFBA). Ministra aulas acerca do trabalho criativo do ator e Teatro físico. É representante do Conselho de Núcleos da Cooperativa Baiana de Teatro. Criou, dirige e atua nas encenações Velôsidade Máxima, ERê - Eterno Rêtorno (fruto do projetos solos do Brasil, que contou com a coordenação artística de Denise Stoklos) e Seu Bomfim. É integrante do grupo Sirius Teatro”e do grupo de Improviso Teatral Os Bobos da Corte. Como ator participou de diversas montagens dentre as quais Murmúrios e Divinas Palavras (dir. Nehle Franke), Os Acrobatas (dir Ewald Hackler), Casa de Eros (dir.Jose Possi Neto), Otelo (dir. Carmem Paternostro), Recital de poesias satíricas – Gregório de Mattos (dir. Meran Vargens).&lt;br /&gt;Serviço:&lt;br /&gt;Velôsidade Máxima 2&lt;br /&gt;Quando – de 24 de agosto a 16 de setembro de 2007&lt;br /&gt;Dias – Sexta a domingo&lt;br /&gt;Horas – 20 horas&lt;br /&gt;Onde - Theatro XVIII, Rua Frei Vicente numero 18- Pelourinho&lt;br /&gt;Indicado - Maiores de 12 anos&lt;br /&gt;Ingresso - R$ 4,00&lt;br /&gt;Espetáculo do Grupo Sirius Teatro participante da Cooperativa Baiana de Teatro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FICHA TÉCNICA&lt;br /&gt;Fabio Vidal Atuação, autoria, encenação, concepção e produção&lt;br /&gt;Caio Rodrigo e&lt;br /&gt;Leonardo Mineiro - Assistência de encenação&lt;br /&gt;Fernanda Paquelet Iluminação&lt;br /&gt;Viviane Freitas e&lt;br /&gt;André Portugal Design Gráfico&lt;br /&gt;Rino Carvalho Figurino&lt;br /&gt;Marco Antônio Confecção e assessoria de Figurino:&lt;br /&gt;Sônia Rangel – Orientação da Pesquisa&lt;br /&gt;Sandra Simões Coordenação de Comunicação&lt;br /&gt;Pedro Morais Divulgação.&lt;br /&gt;Emerson Cabral. Trilha Sonora&lt;br /&gt;Zélia Uchôa Fotos&lt;br /&gt;Fabio Vidal. Produção &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-5397757618546747830?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/5397757618546747830/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=5397757618546747830&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5397757618546747830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/5397757618546747830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/08/obra-de-caetano-veloso-por-fabio-vidal.html' title='A obra de Caetano Veloso por Fabio Vidal'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/RsnI4s5C4jI/AAAAAAAAABg/vsaVXoReu0g/s72-c/DSC04297.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-6630810983965985829</id><published>2007-07-07T12:14:00.000-03:00</published><updated>2008-11-13T06:53:34.946-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ro_N-Xxi3iI/AAAAAAAAABI/ZFf3Ui9p3E0/s1600-h/canteiros02.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ro_N-Xxi3iI/AAAAAAAAABI/ZFf3Ui9p3E0/s400/canteiros02.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5084508975741984290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, há alguns posts atrás (o que equivale a quase um ano), eu escrevi um comentário sobre o espetáculo "Canteiros de Rosa". Saira do teatro com a leveza de ter visto Guimarães Rosa encenado de uma forma delicada, poética. E ao mesmo tempo pensava, como gostaria de fazer aquele espetáculo...certos desejos são engraçados. Há que se ter cuidado com o que se deseja, pois vira e mexe, acontece.&lt;br /&gt;Então, numa tarde de domingo recebi o convite para substituir uma das atrizes e enfrentar a maratona de apresentações Nordeste afora. Sem pensar muito aceitei. Meio inconseqüente, meio empolgada. Tanto tempo longe do teatro, não ia ousar dizer não. E da inconseqüência se fez ensaio, viagens, aeroporto, coxia, malas, caixas, fita crepe. Alguns momentos de arrependimento: não sei mais ser atriz, desafino, erro a marca, não consigo trabalhar a cena, saudade de minha cama, vontade de ver minha mãe...Momentos de alegria: a luz bonita do arco íris, a voz de Márcia cantando a cena de Sorocô, a destreza de Cláudio subindo andaimes afora, a dedicação de Jacyan cuidando para que tudo saisse da melhor forma possível, tantas e tantas coisas positivas que não saberia enumerar.&lt;br /&gt;Mas enfim, não vim fazer um relato emocionado ou coisa parecida. Pensei em escrever sobre a vida de artista viajante. A possibilidade de deslocar o olhar de onde é seu chão pra ver outras terras. E sim, parece que embora fértil, doce e vicioso, o terreno de onde brota o teatro é árido em toda parte. Sim, árido é mesmo a palavra.&lt;br /&gt;Na primeira parada, encontramos o segundo maior teatro da cidade, Atheneu, um pouco longe das expectativas iniciais. Um belo teatro, um equipamento que poderia estar potencializando a cultura localmente, em condições de abandono e descuido. Em Alagoinhas, o Centro de Cultura que guarda diversos espaços que poderiam ser propícios para diferentes linguagens artísticas agoniza. Matagal, abandono, falta de refletores, sujeira...Lastimável.&lt;br /&gt;Subindo o Nordeste, chegamos ao Rio Grande do Norte. Em Mossoró e Natal, nos deparamos com duas estruturas invejáveis. Teatros bem equipados e com uma rica infra-estrutura. Porém, agora o fantasma é a platéia, tão difícil de ser atraída para as salas de teatro. Depois de muito esforço e inúmeras visitas a escolas, faculdades, nos deparamos com o primeiro grande público. 450 pessoas lotando aquele teatro modelo francês. Público ávido de riso, mas que também se rendeu às delicadezas da montagem. Na última parada, a vontade de criar espaços para teatro, não raro, propõe que o ambiente da cena não seja dos mais adequados: espaço exiguo, falta camarim, se aperta daqui, ajeita de lá...e o público pouco vem.&lt;br /&gt;E em toda parte, pelos cartazes das peças que já estiveram em temporada, faço a constatação de que o riso é quem vinga. A comédia seduz e é a dona da bola. Mas que caminho aqueles que querem outros caminhos podem seguir para ter platéia?&lt;br /&gt;E em cada parada, um jeito de fazer produção diferente. Uma realidade nova e a constatação de que não existem fórmulas certas. Em comum, a constatação que a estrada para o ator é o terreno do aprendizado, das supresas, das descobertas. Acústica boa, acústica ruim. Coxia, não coxia. A cada apresentação um espaço novo para se adaptar, para se entender. E essa é a graça da arte do ator viajante (mambembe?).&lt;br /&gt;Em comum, em todas as casas em que estivemos, carinho, respeito e receptividade. Ao fim dos aplausos, a constatação do dever cumprido e de alguns corações tocados.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-6630810983965985829?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/6630810983965985829/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=6630810983965985829&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6630810983965985829'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/6630810983965985829'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/07/ento-h-alguns-posts-atrs-o-que-equivale.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_ydIhkzPBP7c/Ro_N-Xxi3iI/AAAAAAAAABI/ZFf3Ui9p3E0/s72-c/canteiros02.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-2938988555047023569</id><published>2007-06-05T22:31:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T22:41:48.489-03:00</updated><title type='text'>Comentário Extemporâneo I</title><content type='html'>Ora pois pois, o blog andou pouco ativo. Um tanto às moscas. Andei andando ocupada. Pouco paciente. Mas cá estou. Tentando correr atrás do tempo e falar de duas montagens que chamaram a minha atenção nesse primeiro semestre de 2007, mas também para falar do acontecimento teatral que é a entrega do Prêmio Braskem de Teatro.&lt;br /&gt;Serei breve. O assunto já passou da hora.&lt;br /&gt;Na verdade, isso aqui consistirá numa nota autoral e que apenas deseja pontuar o particular momento político-cultural que vive a Bahia. Num ano de poucas produções de orçamento mais alto e sem os nomes consagrados do teatro baiano em cena, abre-se o espaço para aqueles que estão batalhando, mas sem as condições ideais de produção e para os muitos que começam a colocar seus tijoloes e pedras na cena teatral soteropolitana.&lt;br /&gt;Caras jovens, peças sem patrocínio, diretores pouco conhecidos, montagens didáticas tiveram seu espaço e respectivos holofotes na festa. Discussos inflamados. Ansiedade de mudança na história desse teatro, que não, não é fácil nem para os sem, nem para os com prestígio e recursos financeiros.&lt;br /&gt;Que não se engane. Novo governo. Nova Secretaria de Cultura. A premiação do Braskem expressa um novo tempo, mas também uma premiação que busca uma consonância com a nova atmosfera política.&lt;br /&gt;Que para 2008, mais tenham condição de fazer teatro. Mais possam viver dignamente de sua arte. Mais público possa assistir e saber o que se passa. E que a premiação possa ser não só política, mas cada vez mais reflexão sobre a arte e a qualidade da produção artística. Espaço no palco para todos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: destaque para o espetáculo da premiação, assinado por Guerreiro. Belo trabalho, que conseguiu com ritmo e beleza mostrar as várias faces da cena cultural baiana.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-2938988555047023569?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/2938988555047023569/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=2938988555047023569&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2938988555047023569'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/2938988555047023569'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/06/comentrio-extemporneo-i.html' title='Comentário Extemporâneo I'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-322798471489344389</id><published>2007-06-05T21:48:00.000-03:00</published><updated>2007-06-05T22:31:25.428-03:00</updated><title type='text'>Comentário Extemporâneo II</title><content type='html'>Não escrevi na época sobre esses dois espetáculos. Peço desculpas porém, mas enfim, tempo tempo mano velho faltou-me. Como a vontade não, chegou aqui meio extemporânea para fazer comentários brevíssimos sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Velosidade Máxima&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Shopping and Fucking&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Velosidade Máxima&lt;br /&gt;Fábio Vidal parece ter levado às últimas consequências a sua pesquisa iniciada com o fabuloso "Seu Bonfim", há seis anos atrás. Construindo uma poética própria, que parte da performance, do teatro essencial, da mímica corporal dramática e compreensão do ator como ponto chave para todo o processo da criação cênica. Ator intérprete, ator diretor/encenador, ator dramaturgo, ator coreógrafo. E no que se refere à Bahia, ator produtor.&lt;br /&gt;A poética criada por Vidal dessa vez se debruçou na obra de Caetano Veloso, leonino de Santo Amaro. Homem fábrica de espelhos para si. Mas também para tantos outros brasis. A partir de um exaustivo trabalho de pesquisa criativa e acadêmica (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Velosidade Máxima&lt;/span&gt; integra o Programa de Pós-Graduação em Artes Cênicas da Universidade Federal da Bahia), constituiu-se um espetáculo singular na própria cena teatral soteropolitana, mas também singular como um olhar sobre aquilo que pode se chamar velosidade.&lt;br /&gt;O eu, a música, a poesia, a verborragia, o corpo, o cabelo, a malícia, a poética de Veloso são matéria para Vidal que constrói um verdadeiro acontecimento cênico na Ladeira da Misericórdia. Dentro da proposta estética do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;working in progress&lt;/span&gt; (trabalhando em processo, numa tradução literal), o ator-diretor-dramaturgo-coreógrafo apresenta para o público um espetáculo inacabado e que se constrói a cada dia de apresentação. A partir da construção e sedimentação de um roteiro e elementos, o intérprete se vê livre para a cada dia desmontar e remontar a performance, que está definitivamente aberta.&lt;br /&gt;O trabalho solo de Fábio Vidal esteve aberto a intervenções planejadas de outros atores, performers, bailarinos e seres pensantes sobre arte,  delírio, velosidade. Bebendo na estética do sonho de Glauber Rocha, o criador possibilitou que outros também criassem e intervissem dentro de sua obra. Sonhos dentro de sonhos.&lt;br /&gt;Velosidade pode ser então um delírio de janeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shopping and Fucking&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, baby, o texto pode ser americanizado. Tudo pode cheirar a Mc Donalds. Vez em quando há a sensação de que estamos num filme de Tarantino. Ainda que não haja a paisagem de um deserto do Texas ao fundo, aquele longo sedan remete a um posto de gasolina empoeirado da Texaco. Ok, baby, estamos na soterópolis. Provinciana ainda, menos selvagem (será?), com alguma moral e um tanto de tradições.&lt;br /&gt;Porém, nada disso invalida a força da montagem Shopping and Fucking, que esteve em cartaz de março a maio no Teatro Moliére. Com direção de Fernando Guerreiro e texto de Mark Ravenhill, a peça desnovela a história de jovens absolutamente emersos numa sociedade de consumo, trocas capitais e hedonismo. O prazer e o vazio justificam tudo. A ética ou qualquer moral se esfacelam mais rápido que restos de salgadinhos Elma Chips.&lt;br /&gt;As drogas mantém-os vivos. E a civilização é dinheiro.&lt;br /&gt;Guerreiro conseguiu construir um espetáculo extremamente cinematográfico, contudo não se enveredando pelas searas do realismo/naturalismo própriamente. A realidade selvagem e diametralmente blazé da peça se descortina com elementos teatrais bem pontuados, como a iluminação e a sonorização, que remetem a jogos pinball ou mesmo programas de auditório. As moedinhas caem nos cofres e as luzes cegam os olhos. Elemento importante na encenação "cinematográfica" do texto é a natureza das atuações, que ganharam um tom cotidiano e extremamente. As boas interpretações chamam atenção para o elenco, especialmente para Jussilene Santanna, que interpreta com louvor a aspirante a atriz, modelo e vigarista completa Lulu e para Celso Júnior, cruelmente impagável como Brian, o traficante.&lt;br /&gt;Crueldade e uma rigorosa valorização do texto também dão o tom da montagem, que pode causar estranhamento e antipatia para muitos espectadores, por se passar num universo americano. Mas também pode parecer extremamente próxima e contextualizada para os mais abertos. Nada daquilo pode parecer distante. Drogas, sexo, violência, vício, futilidade, consumo, vazio, compras, espetáculo. Isso é estranho para alguém?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-322798471489344389?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/322798471489344389/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=322798471489344389&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/322798471489344389'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/322798471489344389'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2007/06/comentrio-extemporneo-ii.html' title='Comentário Extemporâneo II'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-115967452503685041</id><published>2006-09-30T22:58:00.000-03:00</published><updated>2006-10-01T00:48:45.106-03:00</updated><title type='text'>O Contêiner: por que a graça?</title><content type='html'>Há uma coisa no teatro baiano que me inquieta: por que tem que ser engraçado? Por que teatro tem que ser sinônimo de graça, de algum pastiche, de riso frouxo? Por que diretores, atores, criadores do teatro baiano potencializam tanto a graça? Por que ela deve ser bem vinda onde não foi convidada? Ou ao menos onde não deveria ter sido?&lt;br /&gt;Todos esses questionamentos me povoaram ao assistir ao espetáculo O Contêiner, texto contemporâneo do angolano José Mena Abrantes, com direção de Vinício Oliveira, em cartaz até o dia 8 de outubro no Teatro Vila Velha. Por que para falar de um tema delicado como a imigração de africanos, nada benquistos pela comunidade européia, é preciso usar a graça? Por que é preciso o riso onde ele é um adorno desnecessário? Será que na Bahia teatro se confunde com graça gratuita?&lt;br /&gt;A trama de O Contêiner traz à tona uma história extremamente contemporânea: três africanos embarcam clandestinamente num navio de carga para tentar entrar na Europa, em busca de uma vida melhor. Porém, descobertos pelo capitão e marinheiros, os imigrantes são confinados num contêiner (prática recorrente nos navios europeus), perfazendo toda a viagem sem água, alimento ou qualquer mínima condição de sobrevivência. A direção opta por criar um interessante clima claustrofóbico, mantendo os atores representando dentro de um contêiner suspenso por correntes no palco. A opção funciona bem e emprega recursos como o vídeo, que capta as imagens dos personagens dentro da caixa e projeta em televisores dispostos próximos à platéia.&lt;br /&gt;Contudo, aquilo que poderia causar angústia, incômodo ou reflexão pelo confinamento, não consegue se sustentar, pelas cenas resultantes de improvisação que entrecortam o texto original. &lt;br /&gt;As improvisações enviesam o espetáculo para o caminho cômico, à beira do pastiche, forçando uma graça que de maneira alguma se sustenta diante do peso do texto original. Texto esse que recebe tamanhos cortes que parecem pouco justificados diante das improvisações, que enfraquecem a seriedade da temática e do próprio espetáculo. Seios a mostra, um figurino preto plasticamente bonito, mas pouco afinado com a graça que cai como uma bigorna no espetáculo, e vaquinhas para atravessar a fronteira são algumas das esquisitices que costuram o espetáculo, esvaindo qualquer possibilidade de levar à sério aquilo que inicialmente a montagem se propõe. Vale dar o crédito a boa atuação dos três que sustentam a trama original. Mantêm a coerência em suas atuações e desempenham um trabalho com muita dignidade.&lt;br /&gt;Porém, no decorrer, há que se sonhar com o espetáculo que poderia ter sido, mas que perdeu-se numa graça pouco sensata ou frágil.&lt;br /&gt;E mais uma vez pergunto: por que tem que ser engraçado?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-115967452503685041?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/115967452503685041/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=115967452503685041&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/115967452503685041'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/115967452503685041'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/09/o-continer-por-que-graa.html' title='O Contêiner: por que a graça?'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-115608730208144528</id><published>2006-08-20T10:54:00.000-03:00</published><updated>2006-08-20T12:53:36.293-03:00</updated><title type='text'>As rosas de Guimarães</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/1600/canteiros.jpg"&gt;&lt;img style="float:left; margin:0 10px 10px 0;cursor:pointer; cursor:hand;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/320/canteiros.jpg" border="0" alt="" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Então, a cena literária brasileira comemora em 2006 os 50 anos de lançamento de Grande Sertão: Veredas, nosso Ulisses. Nosso muito mais que Ulisses. Muito melhor que Ulisses. Muito mais poesia que Ulisses. Bem, isso é outra discussão, são outras palavras, é papo de literatura, não de teatro. &lt;br /&gt;O fato é que as letras e as demais linguagens artísticas se voltam para homenagear este que é um dos mais importantes (se não o mais importante) livro da Literatura Brasileira no século XX. Em cartaz até o dia 27 de agosto, às 20h, na sala principal do Teatro Vila Velha,  o espetáculo "Canteiros de Rosa", com direção de Jacyan Castilho e realização do Vilavox, reverencia não essencialmente "Grande Sertão: Veredas", mas seu autor Guimarães Rosa, responsável por tantas outras obras de domínio da palavra. De jogo com o verbo. Um artesão da palavra. Um operário daqueles que têm vultuosa propriedade sobre cimento, cal, argamassa. E constróem formas imponentes. Assustadoras. Delicadas.&lt;br /&gt;A montagem então remonta ao universo roseano, enveredando por três contos (que infelizmente não constam no programa do espetáculo). As adaptações remontam e traduzem para o palco marcas fortes do autor: diálogos sobre a loucura, a diferença, a crueldade, poesia, tradição subsidiando a subversão do verbo, apropriação das palavras para criar outros sentidos, jogos semânticos. &lt;br /&gt;E das cenas, a que melhor traduz todo esse jogo é a terceira, que como disse, não sei o nome. Trata da história de uma menina, Nininha, cujos desejos se convertiam em realidade, cujas palavras tinham um sentido outro, adverso do que pensam e falam os outros. Desejo de chuva, desejo de pamonha de goiabada, desejo de subir as estrelas. E convertida numa santa, ela atrai sobre si os olhos de todos, a cobiça de todos, que vêem nela a possibilidade de ter dirimidas suas dores.&lt;br /&gt;Com delicadeza e sensibilidade a cena se resolve bem. A atriz com naturalidade encarna a estranha menina, que primeiro era olhada com desconfiança, mais tarde com fascínio. Em idas e voltas no balanço, ela leva o espectador a ver uma garota cuja boca emana poesia nova, sentido novo pra palavras velhas, vocábulos estranhos. No palco, põe em diagonal Nininha e o sertão. Sertão de dores, de seca, de cegueira, se contrapondo a um mundo úmido, mas também de encanto. Com muita delicadeza, a direção  resolve bem a subida da pequena às estrelas, aproveitando com maestria as possibilidades que o espaço do Vila Velha oferece.&lt;br /&gt;Na segunda cena, a loucura é festejada no homem que se passa por outros. Darandina, louco, ladrão, embusteiro, revolucionário. Um foguete que veloz escala os canteiros de obra e salta imprompérios contra a multidão, ora louca, ora sã. Ele, sim, ora revolucionário, ora temeroso, ora lúcido. Uma cena festejada com a atuação brilhante de Cláudio Machado, que imprime em dosagens cuidadosas precisão, loucura e técnica. O seu doido alça os mais altos canteiros e com precisão faz com os andaimes o que Guimarães fazia com as palavras.&lt;br /&gt;E a loucura também é a história de Soroco (para mim, a cena mais reconhecidamente Vila Velha/Vilavox das cenas do espetáculo, e portanto abusa dos recursos já típicos de encenação do espaço: cenas em concomitância, repetições, coros, uníssonos, quebra da quarta parede, entradas e saídas em coro). A estranheza da personagem provoca alguma compaixão, na sua forma carinhosa de se apoiar no outro, de caminhar contra o sentido de todos. No entanto, por ser uma cena que executa tão fielmente a gramática do Vila não provoca a quebra de expectativa para os leitores mais habituados a freqüentar aquele espaço. O que talvez não seja um problema para espectadores novatos no universo do teatro do Passeio Público.&lt;br /&gt;Canteiros de Rosa chama a atenção pelo investimento do Grupo Vilavox em se afirmar cenicamente como um grupo de teatro. Embora seja um grupo que ao longo de sua trajetória valoriza a voz e a musicalidade, a trupe parece ainda estar a descobrir qual é a sua linguagem, quais são os seus caminhos. Ao contrário do leve Almanaque da Lua e do político-didático Primeiro de Abril, este não é um musical, mas sim teatro. Teatro promovendo casamento com a poesia. Poesia que não é poesia, mas sim épica. Mas sim drama. Facetas tantas do que é literatura.&lt;br /&gt;E em cena, brilhando mais que todos, superando qualquer coisa, está ele: Guimarães, o homem que sabe que toda saudade é um pouco de velhice. E que não teme reconhecer o óbvio de dizer que viver é muito perigoso.&lt;br /&gt;Sim, Guimarães é o melhor ator da peça. Previsível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-115608730208144528?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/115608730208144528/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=115608730208144528&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/115608730208144528'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/115608730208144528'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/08/as-rosas-de-guimares.html' title='As rosas de Guimarães'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-114927824212715486</id><published>2006-06-02T16:39:00.000-03:00</published><updated>2006-06-02T17:20:11.386-03:00</updated><title type='text'>Cartas com seriedade</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/1600/pirata.1.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/320/pirata.1.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Fui ontem à noite assistir "Cartas de um pirata", solo do ator paulista Vinícius Piedade, produzido dentro do projeto Solos Brazil, coordenado por Denise Stoklos. Me interessava a possibilidade de ver uma outra versão de um curso que tive oportunidade conhecer a técnica e experimentar construir um produto final. Há quase dois anos, vivi uma experiência criativa semelhante e enfim, queria conhecer outro resultado nessa linha.&lt;br /&gt;E lá vi um trabalho bem acabado, absolutamente inserido na proposta de Teatro Essencial. Técnica de mímica aplicada com rigor e qualidade, corpo solto, bem coordenado e explorando máximas e múltiplas possibilidades. Bom trabalho vocal, experimentando repetições, novas vozes, fragmento da palavra.&lt;br /&gt;O texto descontínuo e fragmentado contava, sem ter o compromisso de narrar, a história de um pirata que escrevia cartas para sua mãe. Com indas, vindas, paradas, hiatos, o ator explorou as máximas possibilidades disponíveis para romper com uma estrutura linear de narrativa.&lt;br /&gt;O próprio ambiente do teatro era dissecado, quebrado qualquer compromisso com ilusão, aura. O pacto em cena era o da desconstrução.&lt;br /&gt;Mas mesmo diante de tanto aparato e apuro técnico, todos esses detalhes me chegaram muito bem aos olhos, mas não foram o objeto de minha maior atenção. Não, não foi.&lt;br /&gt;Sou séria, vocês sabem. Procuro escrever com seriedade e sensibilidade. Então, esse é o meu exercício aqui. Mas o fato foi que ali, naquela terceira, quarta fileira do Theatro XVIII, quando um foco de luz acendeu sobre os cabelos castanhos do ator, para mim estava posto o espetáculo. O espetáculo sim era a beleza do ator em cena. Não ele não tinha adornos, nem nada excessivo que chamasse o foco para além do devido. Dentro de uma estética próxima do princípio de Teatro Pobre, de ator pleno no palco, lançando mão de cenário, elementos de cena e recursos para além de seu próprio corpo e técnica, ele era a peça ainda que parado. Ainda que silencioso, com uma luz âmbar a 20 % acesa sobre si, ele já seria o espetáculo.&lt;br /&gt;Juro, estou sendo séria!&lt;br /&gt;Nunca havia ficado apaixonada por um ator em cena e ontem se deu isso. E com toda a seriedade, digo que nunca me atentara para o valor que a beleza física tem quando posta em cena, ainda mais sem adornos, sem outros preenchimentos. Ela é o suficiente para preencher o espaço cênico.&lt;br /&gt;E mais uma vez, repito! Estou sendo séria...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-114927824212715486?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/114927824212715486/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=114927824212715486&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114927824212715486'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114927824212715486'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/06/cartas-com-seriedade.html' title='Cartas com seriedade'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-114843236604800012</id><published>2006-05-23T21:38:00.000-03:00</published><updated>2006-05-24T20:31:15.886-03:00</updated><title type='text'>Estilhaço[s] reúnem fragmentos da nova dramaturgia mundial</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/1600/DSC_8202.jpg"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;img style="FLOAT: left; MARGIN: 0pt 10px 10px 0pt; CURSOR: pointer" alt="" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/320/DSC_8202.jpg" border="0" /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;?xml:namespace prefix = v /&gt;&lt;v:stroke joinstyle="miter"&gt;&lt;v:path connecttype="rect" gradientshapeok="t"&gt;&lt;v:textbox&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Uma peça servo-croata, duas peças inglesas, duas brasileiras e uma norte-americana compõem esse painel fragmentado, em peças que funcionam como hiper-textos que podem ser lidos em conjunto ou de maneira isolada. Ilhas de um mesmo arquipélago, estas peças possuem em comum o fato de todas terem sido escritas nos anos 90. Esse é o panorama que serve de conceito para a construção do espetáculo Estilhaço[s], direção de Celso Júnior e montagem de formatura dos alunos de graduação &lt;?xml:namespace prefix = st1 /&gt;&lt;st1:personname st="on" productid="em Interpretação Teatral"&gt;em Interpretação Teatral&lt;/st1:personname&gt; da Escola de Teatro da UFBA, com estréia nesta terça-feira, dia 30 de maio, às 20h, no Teatro Moliére (Ladeira da Barra), com entrada franca.&lt;b&gt;&lt;i&gt;&lt;?xml:namespace prefix = o /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;O nome do espetáculo é &lt;i&gt;Estilhaço, o&lt;/i&gt;u &lt;i&gt;Estilhaços&lt;/i&gt;. Este título foi escolhido tendo como referência o caráter fragmentado do espetáculo, que reúne, de maneira quase caótica, peças de curta duração de origens diversas, buscando um sentido através da superposição de idéias e da evocação das imagens. Desta maneira, trazem uma atmosfera apocalíptica, em sua maneira de enxergar as coisas do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;Cada fragmento, cada estilhaço, faz parte das sensações que estes autores tinham de que o mundo estava prestes a explodir. E explodiu pouco tempo depois. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;v:shape id="_x0000_s1027" type="#_x0000_t202" strokeweight="1.25pt"&gt;&lt;v:stroke dashstyle="dash"&gt;&lt;v:textbox&gt;&lt;table cellspacing="0" cellpadding="0" width="100%"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td&gt;&lt;div&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Título:&lt;/b&gt; &lt;i&gt;ESTILHAÇO[S]&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Direção:&lt;/b&gt; Celso Jr.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Elenco:&lt;/b&gt; Isabela Silveira, Felice Souzatto, Catherine Oppenheimer, Fernanda Beling, Thaís Mensitieri, Sérgio Mício e Fabio Ferreira (ator convidado).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;Local:&lt;/strong&gt; Teatro Moliére (Ladeira da Barra)&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Datas: &lt;/b&gt;&lt;u&gt;De 30 de Maio a 15 de Junho/ 2006, sempre de 3ª a 5ª-feira&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;b&gt;Horário: &lt;/b&gt;20h&lt;u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;ENTRADA FRANCA (senhas distribuídas diariamente a partir das 19h)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/p&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;/v:textbox&gt;&lt;/v:shape&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;" &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="LINE-HEIGHT: 150%; TEXT-ALIGN: justify"&gt;&lt;span style="LINE-HEIGHT: 150%;font-family:Verdana;font-size:85%;"  &gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/v:stroke&gt;&lt;/v:textbox&gt;&lt;/v:path&gt;&lt;/v:stroke&gt;&lt;v:stroke joinstyle="miter"&gt;&lt;v:path connecttype="rect" gradientshapeok="t"&gt;&lt;v:textbox&gt;&lt;v:stroke dashstyle="dash"&gt;&lt;/v:stroke&gt;&lt;/v:textbox&gt;&lt;/v:path&gt;&lt;/v:stroke&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-114843236604800012?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/114843236604800012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=114843236604800012&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114843236604800012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114843236604800012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/05/estilhaos-renem-fragmentos-da-nova.html' title='Estilhaço[s] reúnem fragmentos da nova dramaturgia mundial'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-114843102724656670</id><published>2006-05-23T20:55:00.000-03:00</published><updated>2006-05-23T21:37:07.316-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/1600/Foto_Seu_Bonfim.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0pt 10px 10px 0pt; float: left; cursor: pointer;" src="http://photos1.blogger.com/blogger/7733/24/320/Foto_Seu_Bonfim.jpg" alt="" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Sinto que vai ser um pouco complicado fazer um comentário sobre o espetáculo "Seu Bomfim" (solo de Fábio Vidal, em cartaz às sextas e sábados no Teatro ICBA, às 20h, até o dia 17 de junho). Acho que pelo fato de ter assistido umas quatro vezes, e a cada vez mais me ver envolvida com a narrativa e com a atuação do intérprete.&lt;br /&gt;Rasgar seda não é tarefa que me agrada. Então, eis um têntame de técnica e de crítica.&lt;br /&gt;Vidal retira da narrativa literária a figura de Seu Bomfim, o narrador do conto A Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa. Encarna as palavras cheias de dramaticidade e crueldade de Rosa, criando um personagem vigoroso, real, verdadeiro e crível. Encarna um daqueles sertanejos, escondidos por de trás de roupas sujas, fala truncada de palavreado tão nosso e tão novo.&lt;br /&gt;Palavras de crueldade artaudiana. Sim, crueldade de radicalidade. Seu Bomfim mergulha num universo de radicalidade de vida, de intensidade de vida. Da malignidade, do mistério, da loucura, dos desejos, da animalidade, dos medos, da vida. Tudo pulsando nas veias daquele homem sem uma das pernas e cheio de memórias.&lt;br /&gt;Corpo de crueldade. Porque Vidal mergulha numa experiência corporal profunda de pesquisa e de construção de um personagem crível, verossímil e impecável. Seu corpo transmutado é de uma dura poesia. A precisão física de Vidal demonstra o apuro técnico tão requisitado por Artaud, que clama por um ator atleta das emoções. Completamente consciente de seus limites e disposto a superação. Completamente técnico. Completamente consciente das emoções e de suas chaves de abertura.&lt;br /&gt;Vidal realiza um rico jogo com as palavras, repetindo, cansando, fixando, pontuando o significado daquilo que interessa. Cada repetição não chega enfadonha, mas sim resignificada, fortalecendo as idéias, as ânsias daquele homem mergulhado em sua própria solidão.&lt;br /&gt;E assim é que é a pergunta do espetáculo: pra que tanta solidão? Pra que tantos dias de dor nessa terra árida ou sufocante de tanta chuva? Que fazemos aqui, errantes, sonâmbulos, multilados e cegos?&lt;br /&gt;Apenas a experiência crua de viver e se entregar pode oferecer respostas ou quem sabe novas possibilidades de pergunta.&lt;br /&gt;E o sertão é o mundo. Ser tão é o mundo. Ora se é.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-114843102724656670?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/114843102724656670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=114843102724656670&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114843102724656670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114843102724656670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/05/sinto-que-vai-ser-um-pouco-complicado.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-114670166669106023</id><published>2006-05-03T21:11:00.000-03:00</published><updated>2006-05-03T21:14:26.723-03:00</updated><title type='text'>SEU BOMFIM</title><content type='html'>&lt;span style="font-family: Tahoma; color: black;"&gt;Comemorando seis anos de estrada, o espetáculo SEU BOMFIM, inspirado no conto "&lt;i&gt;A terceira margem do rio&lt;/i&gt;" de Guimarães Rosa, retornará aos palcos baianos. A peça reestréia no Teatro do ICBA (Corredor da Vitória), no dia 5 de maio e faz temporada às 20h, sextas e sábados, até o dia 20. Após percorrer 22 cidades brasileiras e receber diversos prêmios em várias categorias, a peça volta a Salvador e inicia nova temporada.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;  &lt;p style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma; color: black;"&gt;A encenação mostra a história de um contador de "causos" chamado SEU BOMFIM, um velho homem do sertão brasileiro, que narra acontecimentos do seu passado, onde rememora  pessoas  e locais; expõe pensamentos  sobre questões diversas (morte, vida, dualidade do ser, bem e mal, Deus,tempo). O velho surge contando um episódio vivido por ele sobre um homem que deixou sua família e sua vida para se colocar numa canoa, no meio de um rio, de onde não sai.  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;Para o ator e criador Fábio Vidal, o personagem é "um grande questionador da vida, que busca respostas que tenta encontrar sua identidade cultural e corporal, numa tentativa desenfreada de resgatar suas perdas e encontrar um sentido que norteia sua vida". Suas histórias, seu humor, questionamentos e ações levam o espectador a adentrar  na sua psicologia colocando em evidência  seu  drama humano  pessoal que se encontra   atrelado  a uma cultura sertaneja – nordestina – brasileira.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;Amor, morte, vida, família, pecado, culpa, alegria, saudade, tempo, relação, misticismo, religião, medo, ódio, devastação são temas abordados  nesse espetáculo que  expõe  um indivíduo  no seu interior,  intimidade e  solidão. Tudo dentro da atmosfera de Guimarães Rosa, cheia de crueldade e poesia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;Vidal constrói a montagem utilizando poucos elementos externos e baseando-se na arte do ator, esse espetáculo ganha vida através da  exploração  de possibilidades expressivas, narrativas-sonoras e corporais, que prevê a existência e a crença numa realidade metafísica e a tentativa de contato com o indizível, num texto  que surge da experimentação  prática,  de onde foi  formada  a estrutura  dramática. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;&lt;!--[if !supportEmptyParas]--&gt; &lt;!--[endif]--&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;   &lt;p style="margin: 0cm 0cm 0.0001pt; text-align: justify; line-height: 14.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: Tahoma;"&gt;O espetáculo já percorreu de norte a sul do país – de Belém a Blumenau, foi reconhecido e aclamado pelo público e crítica por onde passa. Motivos que o fizeram continuar na estrada até o presente momento, levando para o povo Brasileiro a ótica e o comportamento desse louco – vidente chamado SEU BOMFIM. “E ói que o Sertão é o mundo”&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-114670166669106023?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/114670166669106023/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=114670166669106023&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114670166669106023'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/114670166669106023'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/05/seu-bomfim.html' title='SEU BOMFIM'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113802344851832381</id><published>2006-01-23T09:52:00.000-03:00</published><updated>2006-01-23T10:37:28.566-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Transpor a vida de alguém, alguém conhecido de todos, para o teatro, ou mesmo para o cinema, não é coisa fácil. Especialmente se esse alguém é temporalmente próximo de toda uma sociedade. Na verdade um ídolo juvenil. Transformar isso num produto artístico, crível, palatável, contundente, emocionante definitivamente não é tarefa fácil.&lt;br /&gt;Obras como "Cazuza - O tempo não pára" demonstram bem essa dificuldade. Com a interferência e a proximidade completa da família do músico, o filme demonstram um envolvimento tão intenso com o artista que não conseguem apresentar nuances do homem, que mais do que genial, também tem incongruências, diferenças, comportamentos que oferecem altos e baixos do indivíduo.&lt;br /&gt;O homem Cazuza é transformado num ser genial, adorável, com excessos absolutamente charmosos. Os demais personagens não têm força dramática, são tolos, risonhos e só servem de contraponto para Cazuza destilar a sua genialidade.&lt;br /&gt;O que salva o filme: a recordação de uma época que está gravada na memória de muitos brasileiros, os anos 80 e a atuação brilhante e visceral de Daniel Oliveira.&lt;br /&gt;Na montagem local da biografia de Raul Seixas, as semelhanças são várias e imensas. Com o roteiro escrito pelo irmão do roqueiro, Plínio Seixas, a peça traz aspectos positivos como a intimidade e as histórias de infância, que mostram um interessante retrato do menino Raulzito, mas por outro lado não oferece distanciamento e olhar crítico sobre aquele homem. Gestos grandes, pulos e exclamações dão conta da alma de um ser conturbado, que transitou entre tantos lados. Magia, drogas, parcerias, amores, divergências, discussões, tudo isso fica superficializado, passa em cena de forma tão epidérmica, que mal se observam.&lt;br /&gt;Em momento algum, a peça evoca a transgressão, a agressividade e a metamorfose ambulante de Raul. Enquadrada num formato um tanto tradicional e óbvio, a peça como o filme de Cazuza se constitui num retrato chapa-branca de um artista nada chapa branca.&lt;br /&gt;A atuação brilhante de Nelito Reis confere força e alguma verdade a peça, que mais se aproxima de um pastiche do que de um retrato de um indivíduo. Esposas sempre grandiloquentes, tipificadas pareciam todas uma coisa só. Marcelo Nova surge tão gozado, que não se percebe se se trata de Marceleza ou uma imitação de Roberto Carlos "bichooo".&lt;br /&gt;A direção de Deolindo Checucci repete movimentações e disposições que funcionaram bem em Vôo da Asa Branca, primeira montagem sua voltada para biografia musical de um artista brasileiro. Tudo é meio cômico, o que poderia ser bom, mas na verdade se mostra frágil, não conferindo força às cenas que requisitam carga dramática como a passeata da ditadura e as separações de Raul.&lt;br /&gt;A entrada de ratinhos em cena é cômica, mas não divertida. Na verdade, promove um choque.&lt;br /&gt;O que isto está fazendo aqui? pode-se perguntar o espectador.&lt;br /&gt;Bem, o público se envolve, se diverte. Por um lado, a peça alcança o espectador. Um mérito formidável da atuação do protagonista, mas também do clima musical. A intimidade que a obra de Raul tem com o público transporta os muros técnicos da montagem, deixando num segundo plano as incoerências e incongruências do espetáculo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113802344851832381?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113802344851832381/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113802344851832381&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113802344851832381'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113802344851832381'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2006/01/transpor-vida-de-algum-algum-conhecido.html' title=''/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113315394114515238</id><published>2005-11-28T01:45:00.000-03:00</published><updated>2005-11-28T01:59:01.303-03:00</updated><title type='text'>Brincadeira Brecht</title><content type='html'>Vou falar hoje sobre uma peça que quem viu, viu, quem não viu, talvez não veja mais. Inclusive, só tenho falado sobre peças/espetáculos de trajetória bastante efêmera.&lt;br /&gt;As tergiversações são as seguintes.&lt;br /&gt;Nesse último sábado, fui a Sala 5 da Escola de Teatro assistir ao espetáculo "Luz", direção de Marcelo Brito, figura que conheço de vista e por poucas palavras, mas que tenho uma imagem de irreverência formada.&lt;br /&gt;Ao chegar atrasada na escola, já via a movimentação dos atores acontecendo. O Bordel UFBA, com "prostitutas" oferecendo seu produto nas janelas e marquises da faculdade. A casa acadêmica profanada. Alguns atores misturados ao público reagiam de formas diversas: o bêbado, a crente, o transeunte. Na subida para a sala, atores mascarados faziam as vezes de doenças sexualmente transmissíveis. Doenças essas que eram apresentadas pelo médico e ex-frequentador da "casa de tolerância", que fazia das suas descobertas científicas um meio de ganhar dinheiro.&lt;br /&gt;Durante o espetáculo, me percebia me divertindo, rindo do espetáculo proposto. Uma grande brincadeira, uma grande sacanagem. Mas na saída, ocorreu-me a pergunta: e Brecht com tudo isso? A pergunta veio porque de tanto rir com a peça, em momento algum eu cheguei a refletir sobre o problema ali proposto. E em se tratando de Brecht, eu sempre me sinto no dever e direito de pensar além da superfície.&lt;br /&gt;Olhando tecnicamente, consigo rever e perceber um tanto do encenador alemão presente na peça. Mas no que se refere a recepção não consegui em mim sentir as perspectivas brechtiana. E isso me deixou um questionamento. Um questionamento sobre montar um Brecht. Sobre dialogar com esses cânones aí postos. Brecht tem regra de ser? As coisas têm que ser de acordo a pressupostos? A padrões? E toda subversão é válida?&lt;br /&gt;Não cheguei a conclusão alguma. Essas perguntas todas me façam.&lt;br /&gt;Da peça, posso dizer que me diverti. E é essa a minha justa questão...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113315394114515238?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113315394114515238/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113315394114515238&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113315394114515238'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113315394114515238'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/brincadeira-brecht.html' title='Brincadeira Brecht'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113250263300296600</id><published>2005-11-20T11:53:00.000-03:00</published><updated>2005-11-21T23:21:54.816-03:00</updated><title type='text'>Teatro de Fogo</title><content type='html'>Fogo queima. Que óbvio. Mas ás vezes, a gente tem a impressão que algumas chamas queimam mais do que as outras. Fogo da inspiração. Fogo da alma. Fogo da sedução. Fogo da vida. Fogo Possesso parece que reúne tudo isso. O espetáculo com texto e direção de Adelice Souza pare uma guerra no palco, uma peça Iansã.&lt;br /&gt;O palco do Icba foi tomado por uma espécie de poço de fogo e destroços de carros, nos quais os atores Rodrigo Frota e Simone Brault transitam, contracenam. O som de batidas de carro, lembrando pneus cantando, riscos, fagulhas. Sob os carros, projeções de vídeos. Imagens de larvas, sangue, língua, fogo. Tudo num movimento intenso, ininterrupto, fogo queimando e levando o espectador embora.&lt;br /&gt;Prometeu e Salomé se encontram numa espécie de limbo infernal, um plano para o qual os desafiantes de Deus são enviados. E nesse inferno de vermelho e metal retorcido, ambos se debatiam e esbatiam, revelando as suas chagas, as suas falhas trágicas, as suas paixões.&lt;br /&gt;Prometeu Acorrentado amando sua águia. Única companhia de uma vida. Única lembrança do feito de roubar o fogo de deus e inspirar os homens. Por lhes retirar da ignorância e oferecer a chama do conhecimento.&lt;br /&gt;Salomé enlouquecida e revelando uma face outra da história. Revelando seu amor por João Batista. Revelando um desejo insandecido pelo profeta. Desejando sua boca, sua carne, seu corpo. Encontrando nele também desejo, mas também repulsa. Convertendo seu amor em loucura. Dançando e pedindo sua cabeça.&lt;br /&gt;E a encenação recordou-me os escritos de Artaud. Os sons estereofônicos que penentram os tímpanos e causam agonia, transe, reportam para outro lugar. O figurino de épocas indefinidas. O corpo preciso, vigoroso. As respirações cheias de emoção de sangue e vida. De uma precisão, mas de uma voracidade. De uma vida pulsando, se dilatando. Atletas emocionais eram os dois atores, assim como pedira Artaud. Atletas físicos também foram. Transitando por aqueles fragmentos de ferro retorcido, pulando, correndo, caindo. Com tamanha minúcia e precisão. Perfeitos.&lt;br /&gt;A direção conferiu o tom de víceras expostas a tudo. Víceras vermelhas. Ainda vivas. Ainda coração batendo. Todo o espetáculo leva para uma atmosfera infernal, que não é clichezada, mas potente, re-significada. Os momentos de agonia, gritos, levam o espectador embora junto. Que não raro, pode querer gritar junto, pode querer libertar suas chagas junto. Expurgar sua paixão.&lt;br /&gt;Esse convite só não fica ainda mais efetivo por conta do texto, que apresenta uma interessante tensão entre conteúdo e dramaturgia. Cheio de poesia, percurso filosófico, potência de palavra, idéia e discurso, o texto diz muito. Traz algumas pérolas, como afirmar que Deus é o seu desejo. Mas diz excessivamente muito frente a todos os outros signos ali implicados. Se torna excesso no que há de negativo. Porque remete a um raciocínio, a uma lógica e até mesmo a um certo didatismo, quando os atores, a encenação, os vídeos, toda a cena, já dizem muito. Já dizem tudo. Então, mais uma vez relembrando Artaud, recordo-me da passagem que ele sugere que o texto entrasse na encenação como a palavra nos surge nos sonhos. Não entra intelível, lógica completamente. Traz mensagens, discursos, mas que não são o elemento principal frente a riqueza dos outros signos ali implicados. Então, precisava o texto ser menos, menos palavra, porque a própria palavra já se fazia segundo plano na cena. A palavra aqui acabou servindo para nos roubar do sonho, do próprio inferno, do próprio desejo. Muitas vezes, quebrava o vigor ali proposto.&lt;br /&gt;E falando em vigor, importante abrir um parágrafo para Simone Brault, Salomé. Para sua entrega extrema, para sua disponibilidade em cena e por conduzir com maestria o espectador para uma câmara de fogo, de ardência. A cena da dança de Salomé pedindo a cabeça de João Batista é algo fervorso. Solta fagulhas. Uma mistura de força, sedução e também de pureza. Porque a mulher que ama é sempre pura. Mesmo que a lascívia seja a sua própria armadilha. E frente a cabeça de João Batista, ela destila sua dor, sua paixão, sua loucura e seu desejo. Confesso, naquele momento, queria ser Salomé, ter levado às consequências todos os meus últimos desejos.&lt;br /&gt;Rodrigo imprime verdade, sinceridade a tudo o que faz em cena. É um Prometeu Acorrentado e dilacerado. Um João Batista atormentado entre a sua fé também acorrentadora e o seu próprio desejo. Mas a própria construção dramática de paixão e desejo de Salomé, acabam elevando a personagem a um ponto de destaque, o que acaba ainda mais chamando a atenção para o trabalho de Simone.&lt;br /&gt;Fogo Possesso surge como uma agradável carícia e sacudida no espectador, que tem seus fantasmas, fé e desejos remexidos. É uma agradável carícia e sacudida na cena teatral baiana, mostrando que há uma vida pulsando e possível além do óbvio, além da simples graça. É um espetáculo de fogo que pulsa e queima. É cruel e bonito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113250263300296600?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113250263300296600/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113250263300296600&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113250263300296600'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113250263300296600'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/teatro-de-fogo.html' title='Teatro de Fogo'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113184531783467173</id><published>2005-11-12T22:03:00.000-03:00</published><updated>2005-11-13T12:22:13.100-03:00</updated><title type='text'>Grande Passeio: agir ou contar? Eis a questão</title><content type='html'>Texto dramático é um texto que pressupõe ação, a dialogicidade, o conflito. Esta é uma conceituação, ainda que num nível primeiro e sem arestas para aberturas de confabulações. Conceituação que também não se faz fechada. No tempo em que vivemos, tudo se faz de hibridismos, de misturas, de sobreposições, montagens, colagens. Já vivemos o teatro épico, já vivemos teatro intimista, já vivemos tanta coisa.&lt;br /&gt;Mas a essência, sempre será a mesma: a ação, o conflito. Assim é a arte da cena, do teatro.&lt;br /&gt;E o monólogo Grande Passeio, espetáculo resultado da pesquisa da dissertação de mestrado de Ricardo Fagundes, promove uma experimentação. A transposição da história de Mocinha, uma velhinha solitária e sem família, contada por Clarice Lispector na coletânea de contos Laços de Família, é realizada para o palco. E Fagundes ocupa o papel de narrador dessa história. Um narrador idoso, que traz consigo peso dos anos e de algum modo o peso também da vida solitária e de riso mascarado da personagem.&lt;br /&gt;Mas ainda assim é um narrador. Ainda que um narrador dotado de corpo preciso, de corpo que se vivifica através da técnica da mímica corporal dramática, que em momento algum o engessa, mas pelo contrário, o dota de possibilidades, de oportunidade de envelhecer com vigor.&lt;br /&gt;Mas ainda assim é um narrador. Ele conta. Ele não age. Ele explica. Mas ele não vive. Por mais que viva e transmita as dores de Mocinha, o descaso, a solidão, o sorriso dilacerado daquela velhinha. Não é o sorriso dela que se vê em cena. É o dele, reproduzindo o que seria o dela.&lt;br /&gt;E diante daquilo, digo. É contação de história. Não é teatro. Porque teatro pressupõe ação.&lt;br /&gt;E me recordava do conto. Das provocações que o conto me faz. Da minha mente solta diante das palavras de Clarice, da sua veemência e da sua crueldade. E lembro das marcas que o conto me fez. E que não senti no monólogo, porque o fato de ser narrado me inquietava.&lt;br /&gt;Esse é o cerne da minha pesquisa com Clarice. Transpor essa mulher veroz, voraz, dramática, mas que fez da sua obra narrativa para o teatro. E o espetáculo de Fagundes trava comigo um diálogo que me dá muito material para trabalho. Fiquei extremamente curiosa de conhecer sua pesquisa, qual o cerne e como foi seu processo de construção, visto que sua linha de interesse tanto tem a ver com a minha. Queria poder lhe fazer as minhas perguntas todas.&lt;br /&gt;Grande Passeio, até dia 20 (sexta a domingo), às 20h, na Sala 5 da Escola de Teatro da UFBA. Vale a pena ser visto, especialmente pelos inquietos com a palavra. Um ator de domínio e precisão corporal, foco contundente, emprego da voz qualificado, um belo trabalho. Mas sinto que falta algo, falta agir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113184531783467173?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113184531783467173/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113184531783467173&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113184531783467173'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113184531783467173'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/grande-passeio-agir-ou-contar-eis.html' title='Grande Passeio: agir ou contar? Eis a questão'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113167594500557510</id><published>2005-11-10T22:58:00.000-03:00</published><updated>2005-11-10T23:25:45.023-03:00</updated><title type='text'>Calçado delicado</title><content type='html'>Há uns dias atrás recebi de uma amiga um texto falando que todo mundo merecia ver O Sapato do Meu Tio. Não pude ver no dia que planejei e fui hoje por obra do acaso. Eu mereci que meu compromisso fosse cancelado. Mereci e fui ver O Sapato do Meu Tio.&lt;br /&gt;E logo ao ver a carroça em cena, foi como se alguma lembrança boa me fosse acionada. Lembrança de palco, de gostar de estar nele, lembrança de nariz de palhaço, correria, riso e brincadeira. As lembranças meio que vão e vem durante todo o espetáculo, mas vão cedendo lugar a uma profunda empatia.&lt;br /&gt;Empatia com os dois atores. Um Augusto menino, sensível e dedicado ao Branco, o Tio, palhaço experiente, dado a mordomias, olhar perdido e uma rotina severa para com o sobrinho. Primeiro incômodo com o tio, depois um encantamento, por perceber que por trás do mau humor havia um engenhoso projeto: transformar o garoto, num palhaço.&lt;br /&gt;E este é o encanto, este rito de passagem. Esse crescimento, essa inocência do menino que se esvai. A dor de crescer, de perder a inocência, de ganhar agressividade. De se tornar esperto. Tantas provas, algumas quedas, mas o riso frouxo e a leveza de quem tem a glória escondida atrás de um nariz vermelho.&lt;br /&gt;Dois atores primorosos, carinhosos e afinados (o olhar ingênuo que Alexandre Casali imprime comove e desperta carinho, já o vigor de Lúcio Tranchesi, vai dando lugar a uma doçura velada). Uma direção que demonstra intimidade com o universo do palhaço, do circo (João Lima). Figurino funcional e sempre magicamente clown de Rino Carvalho. O cenário funcional e também mágico, sempre escondendo alguma surpresa, algum detalhe. Algum signo perfeito do mundo do circo.&lt;br /&gt;Mundo que a peça nos leva sem magia. Sem magia porque revela a realidade do chão duro, do sol quente, da exploração, da vaidade, da solidão por detrás do aplauso.&lt;br /&gt;Um espetáculo rico, que fala não só de circulo. Mas das nossas relações. E como andamos em círculo, como nos repetimos, comos escondemos tanta coisa. Como o sorriso é fácil quando vem de um trabalho sincero.&lt;br /&gt;E concordo, todos merecem se dar ao prazer de receber o carinho delicado que é assistir O Sapato do Meu Tio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113167594500557510?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113167594500557510/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113167594500557510&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113167594500557510'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113167594500557510'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/calado-delicado.html' title='Calçado delicado'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113158852937864089</id><published>2005-11-09T22:47:00.000-03:00</published><updated>2005-11-09T23:08:49.386-03:00</updated><title type='text'>Estranho Brecht</title><content type='html'>Tive uma aula hoje sobre Brecht. Mais uma das muitas que já tive. Mais uma das muitas que ainda terei. Então, do fragmento da aula que cheguei, me inspirei para escrever algumas linhas do que pode ser síntese deste que é consensualmente o homem do Teatro do Século XX. Haverá um para o Século XXI. Queira Deus...&lt;br /&gt;Somos indivíduos devotados ao supérfluo. É o que Brecht diz, e ao contrário do que poderia se pensar, não com ressentimento, não como uma divergência. Teatro é supérfluo. E a vida devotada para o teatro é uma vida de prazer, de um outro nível de diferente das outras práticas. O teatro serve ao gozo, ao prazer. E este é o seu principal compromisso. O teatro é um artefato do prazer.&lt;br /&gt;Decerto que me choquei, ao ler isso em Brecht. Mas está lá. Nos seus escritos teóricos.&lt;br /&gt;Arte não é uma fatia da realidade, não é reprodução da realidade. Mas sim uma construção da realidade. A arte não está posta para refletir uma igual realidade, mas para desnaturalizar o cotidiano, para desnaturalizar a realidade. E como tal, a arte é essencialmente estranhamento.&lt;br /&gt;O objetivo da arte não é produzir o perfeitamente igual ao real, mas pegar o cotidiano, o real levar ao palco e desfamiliarizar essa realidade ali reconstruída, posta. Se alcança o novo justamente a partir disso: da desfamiliarização da realidade.&lt;br /&gt;O teatro de Brecht não quer então um reconhecimento, mas sim proporcionar uma nova visão dos objetos. Ele não quer a fatalidade, mas a capacidade de transformação, que vem desde o espectador, que perde a muleta da familiaridade com os objetos e ganha o dever de entrar no jogo, um jogo de construir sentidos, construir suas lógicas.&lt;br /&gt;Estranho Brecht porque me deparei com um Brecht menos ortodoxo e mais vivo de contradição, de dualidade, de dialogicidade. Um Brecht devotado ao prazer e consciente da nossa alma supérflua.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113158852937864089?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113158852937864089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113158852937864089&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113158852937864089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113158852937864089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/estranho-brecht.html' title='Estranho Brecht'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113141651340127730</id><published>2005-11-07T23:14:00.000-03:00</published><updated>2005-11-07T23:21:53.403-03:00</updated><title type='text'>Amigos amigos...</title><content type='html'>No tal Cidades Invisíveis, sai alvoraçada querendo ver os meninos de máscaras, roupas de chita, sandália de couro. Rodei. Rodei. Desci barranco. Subi escada. Tropecei. Entrei num canto. Saí noutro até que achei numa sala, meio clara, meio escura. Lá estavam eles.&lt;br /&gt;Os meninos da Finos Trapos, cuja peça vi trechinhos. Bem pouquinhos, porque era tanta coisa e tudo eu queria ver. Mas do pouco que vi, vi. Vi e senti.&lt;br /&gt;Primeiro alegria. Lembro deles no primeiro semestre. Todos juntos, com aquele sotaque de gente de conquista. Gente de terra de nome bonito: Vitória da Conquista. Eta, redundância! E me emocionei. Porque meus amigos conquistenses conquistaram.&lt;br /&gt;Ah, faça-me o favor, não vou ser nada distanciada. Não quero, nem consigo.&lt;br /&gt;Se assim almejasse, faria o mesmo, escrevendo em jornal e na terceira pessoa.&lt;br /&gt;Falo dessa galera que conheço. Que rala muito. Que mora na residência, com mofo, barata e comida lá distante, na Vitória. A que não é da Conquista.&lt;br /&gt;Essa galera se despencou pra cá pra fazer teatro e faz. Na raça. Com sensibilidade e acho isso por demais bonito.&lt;br /&gt;O texto era simples. Simples como tem que ser. Com a poesia do que é simples. Com o gesto de quem também é simples. Mas tem brilho no olho. Brilho de quem se entrega pra fazer teatro.&lt;br /&gt;Não sei de técnica. Não parei pra procurar. Sei de gente que tava pulsando. Cantando com colorido e com alegria. E isso me fez tanto sorrir, que me deixou com os olhos rasos.&lt;br /&gt;Amigos, amigos, negócios de fora. Os trapos deles são muitos finos. E que vocês sempre sejam de finos trapos.&lt;br /&gt;Ah. Linda maquiagem, lindo figurino. Tinha que falar de técnica. É isso?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113141651340127730?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113141651340127730/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113141651340127730&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113141651340127730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113141651340127730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/amigos-amigos.html' title='Amigos amigos...'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-18746313.post-113141596681568991</id><published>2005-11-07T22:58:00.000-03:00</published><updated>2005-11-07T23:12:46.826-03:00</updated><title type='text'>Dionísio Importado</title><content type='html'>&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Uma celebração das artes da cena. Pode ser uma definição para o que foi o evento Cidades Invisíveis,  que aconteceu nos dias 4, 5 e 6 de novembro na Escola de Belas Artes da UFBA, pensado pelo Teatro de Potlach, grupo italiano em sua segunda passagem por Salvador. O grupo leva para o ambiente cênico a atmosfera do livro do também italiano Ítalo Calvino. Diferentes cidades, diferentes formas de viver e sentir a cidade. Diferentes nuances. Diferentes poeiras.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bem, e a EBA fez-se uma espécie de cidade. Cidade reunindo diferentes expressões cênicas. Todas simultâneas. Todas muito possíveis. E todas fomando um espetáculo do excesso. Excesso no aspecto positivo e também moderno. Tudo acontecendo ao mesmo tempo, causando novos sentidos, causando devidos incômodos, causando dispersão, causando novos olhares.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;E por que Dionísio Importado? Porque aquela essência dionísiaca da perda do sentido da individuação, do perder-se no meio do todo, do outro interferir no meu sentido, no meu olhar, naquilo que eu quero ter atenção. Tudo isso é coisa antiga, mas aqui, pra nossa terra parece nova. Coisa simples, que só demanda de artistas com fome de fazer, uma universidade disposta a receber. Um espaço livre para fazer e pronto. Unidos os ingredientes, logo faz-se a luz ou o bolo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Fiquei contente, perdida entre tantas cenas. Mas também ensimesmada. Como somos provincianos... precisamos de uma tutela de fora para juntar as nossas próprias forças. Para juntar a nossa própria gente para fazer arte. Precisamos de gente de fora para abrir nossa universidade para mostrar sua própria produção.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Ah, e a minha alegria, frente ás cenas ficou meio muda. Não sabia se mais sorria, ou se me decepcionava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;O fato é que o espetáculo em si era bonito de ver. Teatro, dança, performance, graffite, artes plásticas, arte clown. Tudo concomitantemente agindo e interagindo. Certas alturas, até latinhas de skol já eram mercadas naquela nova cidade.  Cidade de artistas menos invisíveis.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/18746313-113141596681568991?l=casadaatriz.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://casadaatriz.blogspot.com/feeds/113141596681568991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=18746313&amp;postID=113141596681568991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113141596681568991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/18746313/posts/default/113141596681568991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://casadaatriz.blogspot.com/2005/11/dionsio-importado.html' title='Dionísio Importado'/><author><name>Mônica Santana</name><uri>http://www.blogger.com/profile/03269265671446677967</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
