sexta-feira, março 28, 2008

Qual é o lugar do teatro?

Tenho me perguntado isso? Qual é o lugar do teatro hoje? Nesses tempos de internet, de cinemas multiplex, de tv a cabo, de violência, de economia de gasolina, de não ter onde estacionar, de shows... Qual é o lugar do teatro? Quem vai aos teatros? Sempre vejo as mesmas caras e mesmas figuras. Quem se interessa por teatro? Os universitários? Conheço professores universitários que acham teatro o fim da picada, uma chatice sem tamanho. Se os professores universitários falam isso para seus alunos universitários e esses por sua vez formam os alunos do ensino médio e fundamental, fico a me perguntar quem gosta ou gostará de teatro.
A minha pergunta realmente é uma pergunta sincera. Por que realmente não sei qual é o lugar do teatro hoje, diante de tantas opções de entretenimento, diante 
de suas limitações técnicas e tecnológicas e más condições de produção. Diante da falta de formação e interesse pelo teatro.
Não sei qual é o lugar dessa arte. Sei o lugar que ela tem para mim e na vida de muitos artistas. Teatro nem sempre uma escolha, mas é algo mais forte que a capacidade de escolher para muitos.
Mas para a platéia: qual é o lugar do teatro? Qual é a importância? E para os artistas, qual é a importância do público? O que fazer para reconquistá-lo?
Perguntas...tomara que hajam respostas.

Classe artística

Na data em que se comemora o Dia do Teatro, fui obrigada a refletir um pouco sobre o que é a classe artística do lugar em que vivo: Salvador, primeira capital da Bahia, Brasil. Para isso, dei uma fuçada na internet e vi que por esses dias rolou em Brasília uma audiência pública no Senado, para se discutir a possível criação de uma Secretária Nacional do Teatro, dentro do Ministério da Cultura.
Além disso, a audiência pública serviu para discutir as leis de incentivo e a Lei Rouanet. A matéria trazia a consciência de que não existe uma única classe artística, mas sim várias. Por que somos vários, somos iguais em direito, mas não nos forjamos e lidamos de uma forma unitária com o mundo, com os nossos valores e idéias.
A classe artística global, não é a mesma classe artística de quem a trabalha por um teatro experimental, ou quem propõe um teatro popular. Todos são artistas, mas seus ideais e propostas são diferenciados.
Isso não é problema, problema é a divisão de recursos. É o Estado ter leis de incentivo que muito mais contribuem para esses que cobram até um salário mínimo (valor de Rio-SãoPaulo) por ingresso, enquanto que artistas que não tem nenhum apelo comercial para patrocínio por optarem por fazer um teatro diferenciado morrem à mingua. Sem contar que a concentração dos recursos e maior capacidade de patrocínio se concentra no sudeste, enquanto o restante do país divide uma pífia porcentagem dos investimentos que já são pífios no âmbito da arte.
Aqui, na Bahia, a discussão não é muito diferente. Não acho que exista uma única classe artística, acredito que ela é menos multifacetada que se pensarmos no restante do país, mas ela sofre dos mesmo problemas: concentração dos recursos, poucos patrocínios, mercado de trabalho inchado...
Por essas cercanias, também reside a falta de mobilização e própria consciência política e ética. A falta de mobilização repercute que já existiram diversos fóruns de discussão, fortalecimento do sindicato, proposições de caminhos a serem seguidos, mas muitas desses debates servem muito mais de muro de lamentação e exercício de catarse, do que de encaminhamento de propostas, ações políticas. Os espaços de discussão e debate acabam ficando esvaziados e enfraquecidos. Alguns poucos carregam nas costas esforços para tentar interferir na realidade.
O quadro não é desanimador, de modo algum. Nos últimos anos, na nossa terra se proliferaram os grupos artísticos e o número dos espetáculos é crescente. No fim de 2007 pudemos contar com o I Festival Nacional de Teatro da Bahia, feito a partir do trabalho sério e dos esforços da Cooperativa de Teatro Baiano, que vem contribuindo cotidianamente para a profissionalização da classe artística baiana e já gera frutos bem visíveis.
Ao longo de 2007, várias reuniões aconteceram na cidade. Desses encontros, saiu um grupo de trabalho que formatou uma proposta de Lei de Fomento às Artes Cênicas na Bahia. Inspirado no modelo bem sucedido em São Paulo, essa proposta de lei foi adaptada às necessidades locais e incorporou a Dança e o Circo. O texto está circulando pela internet e precisa de assinaturas e da
aprovação da classe artística dessa terra.
Rolaram também a conferência estadual, que integrou artistas de toda a terra, a fim de discutir e encaminhar propostas e perceber quais são as demandas dessa classe.
É um momento fértil. Não há como negar.
Sim, ainda não vivemos um momento perfeito. Mas como essa classe artística pode se articular de forma inteligente, politizada e ética para solucionar esses problemas. Como os atores podem se enxergar como atores sociais e não como seres à parte dessa sociedade para agir no seu próprio mercado. Assim como a turma da cooperativa, como a proposta de lei de fomento...e tantas outras ações que podem ser feitas.
E sobretudo ética...ética é fundamental para qualquer ser humano. Não podemos criticar modelos políticos, econômicos, culturais e até morais sem termos ética. E infelizmente, nessas muitas classes artísticas, há recursos nada nobres sendo utilizados.
A internet que é um meio poderoso de discussão, mobilização, muitas vezes é utilizada para disseminar fofocas, discórdia e denúncias baseadas em achismos... e o que isso gera? O que se põe em pauta mesmo? O que se transforma? A antiga discussão de mesa de bar entra no meio virtual. Só que palavras ditas na mesa de bar, o vento leva...já no meio virtual...
os bits, bytes registram tudo.
Há que se ter cuidado para não sermos artistas levianos.
Essa classe artística que passou quase 20 anos muda, pouco engajada na vida política e discutindo pouco política cultural hoje faz isso com mais intensidade. È formidável mesmo. Hoje discutir política cultural é algo que faz parte das rodas de conversa, dos programas de rádio, das revistas.
E isso é uma novidade. Mas como fazer isso com ética, com embasamento e coerência? Como não perdermos de vista nosso tempo e contexto histórico e político. A natureza não dá saltos, nem as políticas públicas. Assim, um estado de coisas que está instaurado há décadas não vai mudar em um ano de gestão de uma secretária que tem poucos recursos...como é que agimos de forma articulada e política para não somente criticar (que é necessário), mas especialmente para contribuir e transformar.
Enfim, o artista é um cidadão, um trabalhador como outro qualquer. A matéria que usa sim é a dos sonhos, mas também é o serrote, a porca, a fita crepe. O artista precisa ser tão ético quanto o psicólogo. Tão politizado como um advogado. Tão integrado como os operários.
Uma classe policamente frágil como a nossa (porque permitimos isso) necessita de integração e ética. Aceitação respeitosa das diferenças. Porque somos diferentes, temos ideias diferentes.
Mas como ser diferente, sem passar por cima de ética e valores? Essa precisa ser a nossa busca
enquanto artistas, cidadãos e humanos.
Ou tô sendo utópica?
Espero que não.

sexta-feira, março 21, 2008

LEITURA EM VOX ALTA


O grupo Vilavox, residente do Teatro Vila Velha, dá seguimento nesta terça-feira, dia 25 de março, às 19h, ao projeto Leitura em Vox Alta, que consiste em um exercício de reconhecimento a importantes textos da dramaturgia brasileira. O ciclo de leituras, elaborado pela pesquisadora Silvana Garcia e iniciado no último dia 11, continua com o texto "Muro de Arrimo" de Carlos Queiroz Telles, com direção de Cláudio Machado e entrada franca.

A primeira etapa do projeto teve início com o texto "A Resistência", de Maria Adelaide Amaral, e contou com a participação de estudantes, professores e profissionais do jornalismo na platéia e bate-papo após a leitura. O Coordenador do grupo, Gordo Neto, explica que a intenção do projeto é promover a reflexão e o debate acerca dos temas levantados pelos textos. Nesta primeira etapa, o grupo destaca a dramaturgia do chamado "teatro de resistência", com textos da época da ditadura militar, mais especificamente da segunda metade da década de 70.

O convidado da noite para o bate-papo depois da leitura é o advogado e autor teatral César Vieira (Adibal Pivetta), do Teatro União e Olho Vivo – TOUV. Além de conversar com a platéia e o elenco, César Vieira vai lançar o livro "Em busca de um teatro popular" editado pela FUNARTE, que conta a história do grupo que completou 40 anos. Também destaca-se a participação do Fernando Fulco, convidado do grupo para ler o personagem Lucas.

A expectativa de um pedreiro, conversando sozinho numa obra enquanto ouve seu radinho horas antes do jogo decisivo da seleção na copa do mundo é o mote da peça que discorre sobre importantes fatos e momentos históricos da época. O milagre econômico, a esperança da nação, o medo da morte, a influência da TV, as condições do operariado, a repressão e o isolamento são só alguns dos aspectos levantados pela obra, plausível pela forma como consegue metaforizar e desenvolver seus raciocínios de forma a "burlar" a censura, característica marcante nas mais diversas formas de arte da época.

O texto e o dramaturgo – O texto foi escrito em 1975 a partir de uma notícia de jornal do ano anterior, em que o Brasil acabou em quarto lugar na copa, e perpassa a antiga relação entre política e futebol, entre as duras condições de vida e uma ilusória e efêmera expectativa de glórias. A montagem da estréia contou com direção de Antônio Abujamra e revelou Antônio Fagundes no papel principal. Segundo o professor Marco Antônio Guerra "Carlos Queiroz Telles aponta também para uma nova forma de autor no Brasil pós-64: não mais aquele criador único, de significados únicos, com uma trajetória de vida linear, mas sim, como indivíduo construído e reconstruído por fatores sociais e ideológicos, cuja identidade não paira acima desses fatores e nem se desenvolve por uma lógica interna autônoma. Pelo contrário, é na relação profunda entre as estruturas existentes e sua produção dramatúrgica que reside grande parte de sua importância no quadro da cultura brasileira."

Completam a obra do autor, que foi um dos fundadores do Teatro Oficina, os textos A Semana, Frei Caneca, A Viagem, A Bolsinha Mágica de Marly Emboaba, Arte Final, A Heróica Pancada, Um Trágico Acidente e o infantil A Revolta dos Perus,

O grupo - O Vilavox é um dos grupos residentes do Teatro Vila Velha, em Salvador, Bahia. Criado em 2001, já produziu quatro espetáculos, onde a música se aliava ao teatro e à pesquisa de movimentos, resultando sempre montagens com forte apelo rítmico. O primeiro foi Trilhas do Vila, por ocasião do lançamento do CD de mesmo nome, com trilhas sonoras compostas por Jarbas Bittencourt, diretor musical do grupo, para diversos espetáculos do Teatro Vila Velha.

O segundo foi Almanaque da Lua , onde, à maneira de um almanaque, eram apresentadas curiosidades, lendas e canções sobre a lua. No terceiro, Primeiro de Abril, o golpe militar de 64 foi apresentado numa colagem de fatos históricos, personagens reais e fictícias, uma banda de rock ao vivo e dezoito atores-cantores dando voz ao episódio político que até hoje influencia a vida da nação. Canteiros de Rosa – uma homenagem a Guimarães é o quarto espetáculo do grupo, sempre contando com músicas originais de Jarbas Bittencourt. A palavra e o ritmo da prosa de Guimarães são a inspiração desse espetáculo que versa sobre a loucura, a diferença, o estar a margem, temas comuns à obra do autor mineiro.


Serviço:

O que: Projeto Leitura em Vox Alta

Quando: 25 de março, às 19h

Onde: Cabaré Café do Teatro Vila Velha

Quem: Grupo Vilavox e convidados

Entrada Franca

quarta-feira, março 19, 2008

Pelos Teatros

Pique dos Índios ou a Espingarda de Caramuru: a peça tem texto de Haydil Linhares (que também atua) e data dos anos 70. O espetáculo é a quinta montagem da Outra Companhia de Teatro.
De quinta à domingo, às 20h no Palco Principal do Teatro Vila Velha.
Às quintas, o ingresso tem valor promocional: R$10,00 (inteira) e R$5,00 (meia)
De sexta à domingo, o valor é R$20,00 (inteira)

Cookie: depois de uma série de experimentações e apresentações do trabalho em processo, estréia o espetáculo de Dança e Contato Improvisação, de 18 a 27 de março, às 20h. Uma realização do Núcleo Vaga Para.

Rasputin: musical em cartaz no Teatro dos Correios, às 20h. Último final de semana, sábado e domingo, dias 28 e 29 de março. Entrada: doação de 1kg de alimento não perecível.

As estrelas de Orinoco: comédia musical, premiada com o Braskem de Melhor
Atriz em 2007.–Curta temporada no Teatro Martim Gonçalves, às 20h.
Dias: 20,21,21,23,28, 29 e 30 de março às 20h
Ingressos; R$ 16,00 (inteira) e R$ 8,00 (meia).
Promoção compra antecipada: R$ 10,00 e R$ 5,00

Casa da Atriz Backs Again

Foi mal gente. Dei uma freada na escrita. Uma sumida dos teatros. Da escrita sobre.
Mas o blog volta à ativa e espero com melhor freqüência.
Compromisso, juro.